Varig e Tam fecharam 2003 com lucro operacional.

A Varig e a TAM querem adiar por pelo menos 2 anos a decisão sobre a fusão societária entre as duas empresas. Mesmo assim, as duas companhias aéreas pretendem manter o sistema de compartilhamento de vôos, conhecido como code-share. Este sistema permitiu que a Varig e a TAM fechassem 2003 com lucro operacional. Durante reunião ontem no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), a Varig e a TAM anunciaram a intenção de criar uma empresa para gerenciar o compartilhamento de vôos.

A nova empresa também seria responsável por uma série de operações consideradas rentáveis pelas duas companhias, como emissão automática de bilhetes, utilização do sistema de atendimento ao usuário e até a definição de políticas tarifárias.

Segundo o consultor contratado pelo Fator para conduzir a operação, Luciano Coutinho, as empresas constataram que a fusão não é recomendável por necessitar de grande volume de recursos para redução de dívidas e saneamento de passivos.

Coutinho afirmou ainda que com o contrato de associação na nova empresa gestora, será possível promover reestruturação e redução de riscos e dívidas ao longo dos próximos 2 anos. Ao final deste período, a fusão pode não acontecer.

Pela proposta apresentada ao Cade, o novo sistema seria implementado no prazo de 120 dias após a aprovação do Cade, em quatro fases até atingir 60% da malha aérea das duas empresas.

Hoje, o code-share já atinge 60% dos vôos das duas empresas. Coutinho, no entanto, não descarta a possibilidade do compartilhamento vir a atingir 100% da malha aérea.

Na sua avaliação, o compartilhamento não beneficiou apenas a Varig e a TAM. Mas aumentou a ocupação de todas as concorrentes.

O relator do processo no Cade, o conselheiro Thompson Andrade, afirmou que as empresas irão detalhar a proposta nos próximos dias, para que haja uma análise pelo órgão da defesa da concorrência.

Até lá, no entanto, elas não poderão alterar o que está previsto no acordo de reversibilidade da operação.