O comércio varejista brasileiro eliminou 45,9 mil empregos com carteira assinada no primeiro semestre de 2026, o pior resultado para o período desde a pandemia. O desempenho contrasta com o mercado de trabalho nacional, que abriu 921 mil vagas no mesmo intervalo. As informações são da Folha de S.Paulo.
A retração ocorre mesmo com o desemprego em níveis historicamente baixos e expõe o impacto da perda de força do consumo, dos juros elevados e do avanço das apostas esportivas (bets) sobre o orçamento das famílias brasileiras.
Lojas de vestuário lideram as demissões
As lojas de vestuário e acessórios concentraram a maior parte das demissões, com 30,9 mil vagas eliminadas. O número representa mais de dois terços do saldo negativo do varejo. Em seguida aparecem as lojas de calçados, com 11,3 mil postos fechados, e supermercados e hipermercados, que eliminaram 5,6 mil vagas.
No primeiro semestre, o varejo abriu postos de trabalho apenas em março, maio e junho. No mesmo período de 2025, o segmento havia criado 23,7 mil vagas.
Outros setores registram crescimento
O comércio como um todo foi o único entre os grandes setores a registrar fechamento de vagas no primeiro semestre, com saldo negativo de 3,5 mil postos. Os demais setores apresentaram resultados positivos: serviços criou 571,9 mil vagas, construção abriu 168,9 mil postos, indústria gerou 143,4 mil empregos e agropecuária registrou 40,8 mil vagas.
O resultado do comércio só não foi pior porque o setor também reúne empresas de venda de automóveis e motocicletas e atacadistas. O primeiro grupo é beneficiado pela expansão dos aplicativos de entrega e transporte, enquanto o segundo sofre menos com o endividamento elevado das famílias.
O custo do crédito aumentou e passou a pressionar ainda mais o consumo. A taxa média de juros para pessoas físicas com recursos livres chegou a 64% ao ano em junho, contra 59,4% um ano antes. Os juros do cartão de crédito subiram de 92,1% para 97,4% no mesmo período.
A crise da Casas Bahia, que pediu recuperação judicial e anunciou o fechamento de 298 lojas com a demissão de cerca de 3 mil funcionários, deve agravar o cenário. A concorrência do comércio eletrônico aparece como outro fator de pressão sobre os segmentos tradicionais.
