A inflação irá ditar o ritmo de crescimento do consumo este ano, ao contrário do que ocorreu no ano passado, quando as medidas de estímulo promovidas pelo governo contribuíram para acelerar as vendas no comércio.

“O consumo das famílias continuará sendo o motor do crescimento do PIB este ano, mas o ritmo será bem menor”, afirma o economista Bruno Fernandes, da Confederação Nacional do Comércio (CNC). A instituição já recalibrou para entre 2,5% e 3% sua previsão para o PIB de 2013, que no início do ano estava entre 3,5% e 4%. “Acreditamos que será mesmo de 3%”, diz Fernandes.

Nesta terça-feira, 21, a CNC divulgou que a intenção de consumo das famílias brasileiras em maio registrou o nível mais baixo da série história da pesquisa, iniciada em 2010. Fernandes adiantou que a CNC espera para este ano crescimento do comércio de 4,5%, quase a metade da média registrada nos últimos dois anos e bem inferior aos dois dígitos (10,9%) de 2010.

A evolução da inflação, que aumenta o custo de vida, a manutenção de um nível ainda elevado de inadimplência e a maior dificuldade de aquisição de crédito levaram novamente a uma queda do otimismo das famílias em relação ao consumo, tanto na variação mensal quanto na anual. O recuo foi de 2,2% (127,7 pontos) na comparação com abril e de 6,2% em relação a maio de 2012, no menor nível da série iniciada em janeiro de 2010.

Fernandes comenta que as famílias começaram o ano endividadas e foram surpreendidas com processo inflacionário. “A partir do segundo semestre esperamos um cenário mais favorável. As famílias agora estão em processo de alavancagem. De qualquer forma, o desempenho do comércio será mais moderado”, diz Fernandes.

A ICF é composta por sete itens. Quatro deles – emprego atual, renda atual, compra a prazo e nível de consumo atual – comparam a expectativa do consumidor em relação a igual período do ano passado. Os demais itens referem-se a perspectivas de melhoria profissional para os próximos seis meses, expectativas de consumo para os próximos três meses e avaliação do momento atual quanto à aquisição de bens duráveis.

Dos sete, apenas a perspectiva profissional não apresentou variação negativa em relação a abril. O saldo desse item foi de +0,1%. Os outros variaram entre -2,1% (nível de consumo) e -3,5% (momento para compra de duráveis). Na variação anual todos os saldos são negativos e chegam a alcançar -9,7% (compra a prazo), o que demonstra o temor do consumidor em relação ao aumento de seu endividamento.

O índice da CNC traz um misto das percepções pessoal e familiar do consumidor, analisando mensalmente 18 mil questionários. As avaliações em relação ao futuro referem-se a um horizonte que varia de três a seis meses.

Por faixas de renda, os cortes mostram que o resultado do índice na comparação mensal foi sustentado principalmente pela retração da confiança das famílias com renda acima de dez salários mínimos, com redução de 2,8%. As famílias com renda abaixo de dez salários mínimos apresentaram variação negativa de 1,9%. O índice das famílias mais ricas encontra-se em 134,5 pontos, e o das demais, em 126,6 pontos.