Economia

Varejo brasileiro registra 986 empresas em recuperação judicial

Imagem mostra uma calculadora com um gráfico em formado de pizza e símbolos de dinheiro ao lado.
Decisões econômicas, inflação e mercado: entenda como os rumos da economia afetam o seu dia a dia. Foto: Imagem criada com IA.

O varejo brasileiro terminou o primeiro semestre de 2026 com 986 empresas em recuperação judicial, um aumento de 20,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. Os dados são de um levantamento da RGF Associados e mostram que a crise atinge empresas de diferentes segmentos e tamanhos, incluindo casos recentes como Casas Bahia e Marabraz. As informações são da Gazeta do Povo.

Entre os principais fatores da crise estão os juros altos, o crédito escasso e o endividamento elevado das famílias. A taxa básica de juros está em 14% ao ano, um nível considerado restritivo que encarece o acesso ao crédito tanto para consumidores quanto para empresas. Como resultado, as vendas no varejo encolhem há 14 meses seguidos, segundo a Cielo, e o endividamento das famílias atingiu o recorde de 82% em julho, conforme a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor.

Além das empresas em recuperação judicial, o setor registra 686 empresas em falência, uma proporção de uma falência para cada 1,4 empresa em recuperação. Muitas empresas pequenas nem chegam a recorrer ao mecanismo e simplesmente fecham as portas.

Casas Bahia lidera lista de varejistas em crise

A Casas Bahia pediu recuperação judicial no domingo (16) para reestruturar um passivo de R$ 17,3 bilhões. O presidente da empresa, Renato Franklin, justificou a decisão pelos altos custos financeiros, crédito restrito e dificuldade de captar recursos no mercado.

O Grupo Toky, dono das redes Mobly e Tok&Stok, teve o pedido de recuperação judicial deferido em junho, com dívidas de mais de R$ 1,1 bilhão. A rede de supermercados St. Marche também obteve a recuperação judicial no final de junho, com passivo de R$ 188 milhões. A Casa & Vídeo, com cerca de 300 lojas no Rio de Janeiro, pediu recuperação em abril. A Polishop entrou com o pedido em maio de 2024, com passivo de R$ 395 milhões.

Redes tradicionais enfrentam avanço do comércio eletrônico

Segundo Cláudio Santos, sócio da Galeazzi Associados, a lentidão em acompanhar as novas demandas digitais prejudicou parte das redes tradicionais. Entre 2020 e 2025, o faturamento do comércio eletrônico brasileiro cresceu 86,3%, passando de R$ 126,45 bilhões para R$ 235,52 bilhões, conforme dados da Associação Brasileira de Inteligência Artificial e E-commerce.

Uma pesquisa da Fecomércio-PR para o Dia dos Namorados mostrou que a intenção de comprar pela internet aumentou de 29,6% para 35%, enquanto o comércio de rua recuou de 33,6% para 29,4%. No Dia das Mães, as compras pela internet cresceram 8,6%, enquanto o comércio de rua perdeu 2,6% de participação.

Santos aponta a Marabraz como exemplo de rede que não conseguiu acompanhar a mudança, permanecendo dependente de lojas físicas. A Casa & Vídeo também enfrentou pressão do comércio eletrônico, com vendas digitais respondendo por apenas 16,1% da receita total.

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