O varejo brasileiro encerrou o primeiro semestre de 2026 com 986 empresas em recuperação judicial, um aumento de 20,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. Entre as companhias que buscaram proteção judicial estão grandes redes como Casas Bahia e Marabraz. As informações são da Gazeta do Povo. A crise é impulsionada por juros altos de 14% ao ano, crédito escasso e endividamento recorde das famílias brasileiras, que chegou a atingir 82% dos lares. Esse cenário sufoca as vendas e compromete o caixa das empresas do setor.

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A taxa Selic em 14% ao ano torna o custo para financiar estoques e pagar dívidas praticamente insuportável para as varejistas. O consumidor também é afetado, pois o crédito fica mais caro e difícil de obter, reduzindo o poder de compra. As vendas no setor estão em queda há mais de um ano, forçando grandes redes a buscarem proteção na Justiça para evitar a falência definitiva.

A Casas Bahia, com passivo de R$ 17,3 bilhões, alega que os custos financeiros elevados anulam qualquer melhora operacional nas lojas. O Grupo Toky, dono da Tok&Stok e Mobly, aponta que dívidas superiores a R$ 1 bilhão tornaram a operação insustentável sem reestruturação. Até redes de alto padrão, como o supermercado St. Marche, e a Polishop recorreram à medida, citando dificuldades em importar mercadorias e queda na demanda.

Entre 2020 e 2025, o faturamento do comércio eletrônico no Brasil quase dobrou, chegando a R$ 235 bilhões. Muitas varejistas tradicionais não acompanharam a transformação digital. Empresas como a Marabraz ficaram presas a um modelo físico dependente de grandes estruturas. A Casa & Vídeo, apesar de vender online, ainda via 84% de sua receita vir de unidades físicas, gerando um custo fixo muito alto.

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A recuperação judicial permite que empresas renegociem dívidas e mantenham as portas abertas, mas não garante a sobrevivência. Para cada 1,4 empresa em recuperação judicial no varejo, existe uma que já declarou falência, totalizando 686 falências registradas no período. O sucesso da medida depende da capacidade de gerar caixa e atrair investimentos, algo difícil em um cenário de crédito restrito.