Rio (ABr) – A Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) avalia que a alta do preço do minério de ferro precisa acompanhar a forte demanda mundial pelo produto e também embutir os aumentos do custo de produção, decorrentes da valorização do real, da folha salarial e dos novos investimentos para ampliar a oferta do produto. A opinião é do presidente da companhia, Roger Agnelli, que anunciou o crescimento de 62% do lucro líquido da Vale em 2005.

A lucratividade fez a empresa atingir R$ 10,4 bilhões de lucro no ano passado – o terceiro recorde consecutivo e o maior resultado de uma empresa privada de capital aberto da América Latina. Durante a entrevista coletiva, no Rio de Janeiro, Agnelli garantiu que a Vale, a maior produtora do minério no mundo, ainda está negociando com a China e os principais mercados consumidores sobre o reajuste ideal a ser praticado este ano. Ele não acredita, no entanto, que a China, grande produtora de aço, vá impor preços e tabelar o produto.

?O preço será determinado pelo mercado. O fato é que continua uma forte demanda pelo minério de ferro em todos o mundo, principalmente por parte da China. Os custos dos investimentos – que são feitos em dólar – estão muito elevados, principalmente em razão da valorização do real, e para poder continuarmos a investir, e crescer, temos que ter preços adequados?, afirmou.

Este aquecimento da demanda, na avaliação de Agnelli, tem sido determinante para os lucros crescentes das empresas do setor e os recordes que vêm sendo batidos. ?O fato é que o crescimento da produção de minério não se equipara ao da demanda, daí a necessidade de novos investimentos para aumentar a capacidade de extração. No entanto, a recente depreciação do dólar frente à maioria das moedas, e principalmente frente ao real, vem também elevando os custos destes investimentos.?