A Vale entrega na próxima segunda-feira ao governo do Espírito Santo o termo de referência do projeto de construção da Companhia Siderúrgica de Ubu (CSU), documento que serve de base para a solicitação de licenças ambientais e também de operação da usina. A informação foi dada hoje pelo diretor executivo de Ferrosos da Vale, José Carlos Martins, que fez um detalhamento do projeto ao governo do Estado.

A usina foi projetada para ter capacidade de produzir 5 milhões de toneladas de placas de aço por ano. A expectativa é de que esteja pronta para operar em meados de 2014. O executivo ressaltou que a usina somente sairá do papel se houver uma aprovação da sociedade e que a companhia não pretende pular nenhuma das etapas. “O projeto siderúrgico tem um timing. Não adianta querer atropelar porque se você atropelar daqui a pouco irá enfrentar problemas. Vão cassar as licenças”, afirmou.

Segundo ele, a intenção de debater com a sociedade é a grande diferença entre o projeto atual e o apresentado no passado, quando a Vale ainda tinha a chinesa Baosteel como sócia, e que sofreu críticas de órgão ligadas à proteção do meio ambiente. As dificuldades na obtenção de licenças e também na escolha de um local para a obra acabaram por levar a siderúrgica chinesa a desistir do projeto.

“Nem uma decisão lá de cima, do presidente, vai fazer o projeto ir para frente se a sociedade não estiver convencida. A sociedade tem instrumentos constitucionais para agir”, afirmou. Recentemente, a Vale foi alvo de críticas do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, pela redução de seus investimentos programados para este ano e também por demitir quase 2 mil pessoas para se ajustar ao cenário de menor demanda por minério de ferro com a crise mundial.

O diretor lembrou que projetos siderúrgicos são relevantes para a sociedade por criar empregos. Entretanto, destacou que esse não pode ser o único aspecto quando se pensa na instalação de um projeto. Além da geração de empregos, explicou, é preciso também conciliar as preocupações da sociedade com a parte social e com a preservação do meio ambiente.

“Embora para uma pessoa em uma região remota, a primeira necessidade dela seja um emprego, quando a sociedade se desenvolve, há também uma preocupação com o meio ambiente. Não podemos fazer um projeto exclusivo. Temos que contemplar todos, desde aqueles que querem um empreendimento que gere emprego até aquele que quer um projeto ambientalmente saudável”, disse.