O presidente da Cemig, Mauro Borges, disse que o Plano Nacional de Energia Elétrica a ser lançado pela presidente Dilma Rousseff (PT) na terça-feira, 11, contempla grandes investimentos no setor “razoavelmente” conhecidos pela Cemig, como a usina hidrelétrica de Tapajós (PA). “Essa usina, por exemplo, é estratégica para o País e de grande interesse da Cemig. Já somos sócios em Belo Monte e Tapajós seria a próxima etapa na região amazônica. Entretanto, o plano é fundamental se houver adequação regulatória para esses aportes de grandes escalas para não termos problemas graves, como o que temos hoje com o déficit hídrico (GSF, na sigla em inglês)”, disse.

“O plano é de carteira de investimentos e não envolve aspectos regulatórios. A Cemig estará muito atenta e é de grande interesse as condições que vão ser oferecidos nesses investimentos”, completou o executivo, que estará presente no lançamento do plano. Ele participou de audiência pública na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) sobre o desenvolvimento e o uso da energia solar fotovoltaica, a proposta de implantação da agência estadual de energia elétrica e o aumento da conta de energia dos irrigantes do Estado.

Borges também comentou que a empresa possui planos de investir R$ 4 bilhões em uma planta de energia fotovoltaica integrada. “Uma vez que for definida, a implantação do projeto é em torno de três anos. Estamos fazendo todos os esforços, foi determinação do governador (Fernando Pimentel, do PT) em viabilizar aportes dessa escala, e estamos buscando o sócio certo, que tenha competência tecnológica para o investimento necessário”, explicou.

O executivo disse que Minas Gerais está no caminho certo para ampliar sua capacidade de geração desse tipo de energia, mas que ainda há desafios tecnológicos, ambientais e de planejamento. “Sem processo de análise célere dos grandes projetos teremos grande dificuldade em sermos competitivos nos leilões solares que vão ser realizados. E também temos gargalos na área de transmissão. Hoje, a Cemig tem capacidade 1,2 gigawatts para absorver novas demandas com transmissão de base da companhia, mas no longo prazo é fundamental que o leilão 0001/2015, que vai ser divulgado, se efetive e que os investimentos ocorram nos próximos três anos para que transmissão seja compatível com a geração”, declarou.

Sobre a criação de uma agência estadual regulatória de energia elétrica, Borges acredita que não faz sentido. “Não sabemos no que ela poderia contribuir. Em Minas temos praticamente uma distribuidora, que somos nós, e temos uma relação muito estreita com a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). Não vejo razão de ser”, disse.