A formalização da Sociedade de Propósito Específico (SPE) da Hidrelétrica de Belo Monte pelo consórcio Norte Energia não deve encerrar as movimentações societárias em torno da usina. Por força das regras do edital de licitação, são grandes as chances de que novas indústrias se associem ao projeto na condição de autoprodutores – que buscam participar da produção para consumo próprio de energia.

Apesar da presença da Siderúrgica Norte Brasil (Sinobras) e da Gaia Energia como autoprodutores, o grupo investidor ainda não cumpre a regra de destinar 10% da oferta para essas indústrias. A Gaia, ligada ao Grupo Bertin, não tem nenhuma atividade industrial. Pelas regras do edital, a inexistência de autoprodutores obrigaria o consórcio a vender 90% da oferta no mercado às distribuidoras, o que diminui a atratividade do projeto.

Belo Monte, com 11 mil megawatts (MW) de potência, está prevista para entrar em operação em 2015. Hoje, a Gaia é o braço do Grupo Bertin focado no desenvolvimento de projetos de fontes renováveis de energia. Dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) mostram que a empresa detém participações em Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) em operação, que somam 65,7 MW de capacidade.

Por ser uma subsidiária da Bertin, que também atua no segmento agroindustrial, a Gaia teria a possibilidade de atuar como autoprodutora para o grupo. Ainda assim, é pouco provável que tenha demanda suficiente para consumir a oferta de 450 MW médios da usina para os autoprodutores. A possibilidade de a outra autoprodutora do grupo, a Sinobras, assumir os 10% para os autoprodutores não é viável. A empresa é uma pequena siderúrgica do Pará, com produção anual de 300 mil toneladas de aço.