A família Romera enfrenta um desafio duplo em Arapongas, cidade natal de duas redes regionais de móveis e eletrodomésticos: uma que leva o nome da família e a Darom Móveis. As redes sentem o aperto no bolso do consumidor de diferentes maneiras: a Romera está fechando lojas deficitárias para concentrar sua expansão em polos do agronegócio, enquanto a Darom enfrenta um desafio mais grave. Parte do grupo Simbal, conhecido por fabricar estofados e colchões, a rede está em recuperação judicial.

Esta não é a primeira vez as duas empresas enfrentam um grave revés. Os administradores dos dois negócios morreram em 2008, em um acidente de avião. João e Adriano Romera comandavam, respectivamente, Romera e Darom.

Até então, contaram fontes do setor, as duas “alas” da família mantinham bom relacionamento. Após o acidente, a relação azedou. A Romera, que tem quase o triplo da receita da Darom, era uma das principais clientes dos móveis da Simbal – mas, nos últimos anos, a relação comercial foi cortada.

O Simbal entrou em recuperação judicial por causa de uma dívida de R$ 200 milhões. A Darom tem cerca de 90 unidades em quatro Estados (além do Paraná, está presente em Santa Catarina, Mato Groso e Mato Grosso do Sul). O faturamento total do grupo é de aproximadamente R$ 400 milhões. O atual gestor da Simbal, Oscar Milani, não respondeu retornou os contatos da reportagem.

Enquanto a Darom negocia com credores, a Romera também tenta se adaptar aos tempos difíceis. A empresa prevê fechar 2015 com queda de 10% no faturamento, que deverá ficar em R$ 1,15 bilhão. Depois da morte de João Romera, a família decidiu profissionalizar a gestão – o executivo Júlio Lara está à frente do negócio.

Após acelerada expansão durante o período de bonança no País, Lara agora tenta corrigir erros de percurso. Uma das medidas será fechar a loja em Manaus (AM), um ponto fora da curva na estratégia da companhia.

Para não acabar engolida pelas redes nacionais, a Romera adotou uma estratégia clara de crescimento, priorizando polos do agronegócio. Foi essa noção que pautou a expansão ao Centro-Oeste, ao interior de São Paulo e, mais recentemente, ao Pará. Mesmo com o fechamento de unidades deficitárias, a Romera terá “abertura líquida” de oito unidades em 2015, para 230 lojas.

Uma das medidas para manter as contas neste ano foi a renegociação de prazos com as indústrias, explica o diretor da Móveis Romera. “Antes, conseguia prazos de 55 a 60 dias. Hoje, já chega a 85 dias.”

Mas o trabalho não para por aí. Depois de cortar as compras da Simbal, a Romera deve agora concorrer com ela na área industrial. Para abastecer reduzir custos em estofados e colchões, a rede pretende pequenas fábricas desses produtos – a primeira delas, em Arapongas, está quase pronta. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.