A União Europeia e o Japão darão início nesta segunda-feira, em Bruxelas, à primeira rodada de negociações para um dos maiores acordos de livre comércio do mundo, numa iniciativa para impulsionar o crescimento desses países. As duas partes destacarão os benefícios do acordo, que englobará cerca de 30% da produção do mundo e 40% dos negócios globais.

Apesar do grande incentivo para chegar ao acordo, ainda restam diferenças consideráveis a serem superadas, a maioria delas do ponto de vista cultural, que precisarão de intensas negociações para serem resolvidas.

O Japão é de grande importância para os exportadores da UE, mas os países europeus vêm reclamando que o mercado do país asiático é muito favorável aos produtos domésticos, o que fez com que Bruxelas emitisse um sinal de alerta.

O comissário de comércio da UE, Karel De Gucht, disse no mês passado que o acordo “que nós temos em mente é abrangente, superando barreiras e barreiras não tarifárias, contratos públicos e direitos de propriedade intelectual”. Segundo ele, “está claro que o desmantelamento das persistentes barreiras não tarifárias será a chave para o sucesso das negociações”.

O porta-voz de comércio da UE, John Clancy, disse na sexta-feira que a “agenda permanece flexível”, mas que o acesso ao mercado, os contratos públicos e a propriedade intelectual devem estar no centro das discussões. As conversas desta segunda-feira são “apenas a primeira rodada”, disse Clancy, com a expectativa de que as negociações durem vários anos.

O encontro, que será realizado entre a segunda e a sexta-feira (19), estava agendado inicialmente para março, mas foi adiado devido às intensas discussões do bloco europeu para fechar um acordo sobre o pacote de resgate ao Chipre.

O Japão também está negociando outros acordos de livre comércio. Na sexta-feira, os EUA decidiram pela participação efetiva de Tóquio nas negociações para um pacto de livre comércio transpacífico (TPP, na sigla em inglês). As informações são da Dow Jones.