Em comunicado enviado à imprensa, o secretário de Estado da Agricultura de Minas Gerais, Gilman Viana Rodrigues considerou o embargo à carne bovina brasileira, anunciado nesta quarta-feira (30) pela União Européia (UE) "uma decisão política". Para ele, não há argumentos técnicos para impedir a venda da carne brasileira ao bloco. "O setor técnico da União Européia sucumbiu à pressão dos produtores da Irlanda que reclamam da concorrência com a carne brasileira", afirmou no texto.

A decisão da União Européia foi tomada depois de uma discordância em relação ao número de fazendas exportadoras para o bloco que o Brasil poderia certificar. Os europeus informaram que poderiam aceitar a carne de 300 propriedades. Na opinião do secretário mineiro, não faz sentido ter apenas 300 propriedades exportando para o bloco europeu. "A quantidade a ser exportada não seria expressiva", diz. A alternativa, de acordo com ele, seria levar a discussão para o âmbito diplomático.

A lista das propriedades exportadoras foi definida depois que, em dezembro do ano passado, a União Européia determinou que, a partir de 1º de fevereiro de 2008, só iria comprar carne das propriedades consideradas Estabelecimento Rural Aprovado no Sistema Brasileiro de Certificação de Origem de Carne Bovina e Bubalina (ERAs) que passassem por uma auditoria dos órgãos estaduais de defesa sanitária. Uma nova visita de técnicos da UE ao Brasil está prevista para o dia 25 de fevereiro.

Força-tarefa

Em Minas, foi criada uma força-tarefa para auditar 1.710 propriedades em menos de 20 dias. A equipe contou com 160 técnicos do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) e do Ministério da Agricultura, além dos responsáveis pelos frigoríficos exportadores instalados em Minas. A lista da secretaria de Agricultura de Minas conta com 1.237 propriedades aprovadas pelas auditorias.

Em 2007, as exportações de carne bovina do Estado para a União Européia atingiram 35 mil toneladas. Gilman Viana preside o Conselho Nacional de Secretários de Estado da Agricultura (Conseagri). Até o momento, de acordo com a assessoria da secretaria mineira da Agricultura, ainda não foi agendada reunião do conselho para discutir o assunto.