A greve dos 2,5 mil trabalhadores da montadora Volkswagen-Audi, em São José dos Pinhais, entra hoje no quinto dia. Às 10h, o Tribunal Regional do Trabalho irá julgar a legalidade da paralisação e definir o dissídio coletivo. De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, a idéia é realizar uma grande mobilização a partir das 8h em frente à montadora. De lá, os trabalhadores seguem em carreata até o prédio do TRT, no centro de Curitiba. Segundo o sindicato, não haverá produção na fábrica até o pronunciamento da decisão judicial.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Sérgio Butka, afirmou não acreditar que o TRT condene a ação dos trabalhadores. “Nossas reivindicações são justas. Dois mil e quinhentos trabalhadores não iriam parar as atividades se não houvesse realmente um motivo forte”, apontou Butka.

Os metalúrgicos pedem R$ 3,2 mil de Participação de Lucros e Resultados (PLR), enquanto a direção da empresa oferece R$ 2,7 mil. Além disso, reivindicam redução da jornada de trabalho, de 42 para 40 horas semanais – como ocorre em outras indústrias automobilísticas do Paraná – e o fim do banco de horas.

Tanto os trabalhadores como a direção da empresa participaram de duas audiências conciliatórias no TRT esta semana, mas não houve acordo. Um dos pontos agravantes do impasse, segundo o sindicato, é o fato de a montadora querer contratar apenas 36% a mais de funcionários para dar conta da metas de produção de 85 mil unidades em 2003 para 150 mil para este ano.

Até ontem, a estimativa era de que cerca de 1,8 mil veículos – entre Fox, Golf e Audi A3 – deixaram de ser produzidos. A última greve dos metalúrgicos da Volkswagen-Audi aconteceu em 2000. O impasse só foi resolvido mediante dissídio coletivo.