O Tribunal Regional do Trabalho (TRT), 9.ª região, vai julgar amanhã, às 10h, a greve dos funcionários da montadora Volkswagen-Audi, instalada em São José dos Pinhais. A paralisação começou na última segunda-feira. Ontem à tarde, houve nova tentativa de acordo entre as partes, durante audiência conciliatória no TRT. Mais uma vez, não houve consenso. A sessão de julgamento que acontece amanhã irá definir se a greve dos funcionários é abusiva ou não e determinará ainda o dissídio coletivo. Os metalúrgicos reivindicam redução de jornada de trabalho, fim do banco de horas e reajuste da Participação nos Lucros e Resultados (PLR).

“Seria mais favorável se tivesse havido acordo, mas como não houve proposta melhor, não houve outra saída”, afirmou o coordenador da Comissão de Fábrica e diretor do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curiiba, Jamil D?ávila. Os trabalhadores querem receber R$ 3,2 mil de PLR, e a direção oferece R$ 2,7 mil, vinculados à manutenção do banco de horas nas empresas. Os funcionários querem o fim do banco de horas e não aceitam a vinculação das duas discussões. Além disso, querem a redução da jornada de trabalho, de 42 para 40 horas semanais, como ocorre em outras indústrias automobilísticas no Paraná. O salário inicial da categoria é de R$ 897,00.

Na primeira audiência no TRT, na terça-feira, o procurador-geral do Trabalho, José Cardoso Teixeira, propôs o pagamento de R$ 3 mil de PLR aos funcionários e que outras reivindicações fossem negociadas mais tarde. A montadora rejeitou a proposta. A relatora do processo, a juíza Wanda Sante Cardoso da Silva, apresentou então nova proposta: que os metalúrgicos voltassem a trabalhar imediatamente com o reinício das negociações, e que a montadora não descontasse os dias parados. Novamente, a montadora não aceitou. A nota divulgada pela Volks-Audi, no início da semana, informava que “a proposta da empresa, de participação nos resultados no valor R$ 2.700,00 para 100% das metas, é 17% superior ao pago no ano passado e contém um ganho real de 7%”.

Na fábrica da Volks-Audi, cerca de 2.500 trabalhadores estão parados. Com a paralisação, cerca de 450 veículos estão deixando de ser produzidos, por dia, na fábrica instalada em São José dos Pinhais, entre Fox, Golf e Audi A3.

BC e IBGE fazem paralisação

Os servidores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no Paraná aderiram à paralisação de 48 horas, que acontece hoje e amanhã. Nesse período, o Instituto não estará transmitindo dados como o de Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), nem pesquisas da indústria. Entidades que necessitam desses dados serão prejudicadas. “Dessa vez, tivemos um grande avanço: vamos desligar todo o equipamento de informática no Paraná”, afirmou o presidente do Sindicato dos Servidores do IBGE no Paraná, Luis Almeida Tavares. A decisão foi tomada ontem, durante assembléia que reuniu cerca de 60 servidores. O total de funcionários do IBGE na ativa no Estado é 98.

De acordo com Tavares, uma nova assembléia está marcada para segunda-feira de manhã. Servidores do IBGE de outros estados, como São Paulo, Rio Grande do Sul, Espírito Santo, Distrito Federal, Bahia, Alagoas, Maranhão e Acre, estão em greve por tempo indeterminado e realizam assembléia hoje. Os cinco núcleos do IBGE do Rio de Janeiro também estão parados. De acordo com Tavares, a decisão de suspender a transmissão de dados foi tomada apenas no Paraná. A idéia, segundo ele, é sugerir a mesma medida a outros estados.

Além do reajuste salarial imediato de 50,19%, a categoria reivindica a reposição do quadro de funcionários através de concurso público. O IBGE conta atualmente com 7,2 mil servidores na ativa, mas já chegou a ter entre 15 e 16 mil tempos atrás, lembra Tavares.

Banco Central

Funcionários do Banco Central (BC) pararam ontem por 24h. No Paraná, a adesão foi de 70% a 80%, de acordo com o presidente do Sindicato dos Funcionários do BC, Luiz Carlos Freitas. Em Curitiba, há cerca de 130 funcionários na ativa e, em todo o País, cerca de 5 mil. Segundo Freitas, existe indicativo de nova paralisação de 24 horas em Curitiba marcada para o próximo dia 19. Das dez regionais do BC no País, apenas uma (Belém) não aderiu ontem à paralisação. O salário inicial no BC é de R$ 5 mil.