Os números mais recentes do Instituto Nacional do Seguridade Social (INSS) no Paraná dão conta que os trabalhadores estão pensando duas vezes antes de se aposentar.

Em julho, um fato raro foi registrado: o montante de contribuições superou as despesas pagas a aposentados e pensionistas. “A arrecadação rompeu a marca de R$ 190 bilhões, na área urbana, enquanto o valor pago em benefícios foi um pouco menor”, destaca o gerente executivo do INSS, Altamir da Silva Cardoso.

Ele confirma a tendência que mais segurados têm se mantido por mais tempo no mercado de trabalho, mesmo após atingirem o tempo de contribuição exigido. Tanto que no ano de 2003, por exemplo, a Previdência Social no Paraná, na área urbana, encerrou o ano com R$ 78 bilhões em arrecadação e 87 bilhões de gastos com o pagamento dos aposentados e pensionistas.

No entanto, em 2008, essa diferença passou para R$ 177 bilhões arrecadados contra R$ 179 bilhões pagos. “Esse fenômeno se verifica não só pelo aumento da longevidade, mas principalmente, pela evolução do salário mínimo nos últimos anos”, informa. Na avaliação de Cardoso, essa mudança de comportamento é positiva para a sociedade e quem toma essa decisão.

Disposição

É o caso do casal Ana Maria Surgik, de 65 anos, e Aloísio Surgik, 74, com mais de 40 anos de união. Ambos compartilham da mesma disposição em aprender sempre e da vontade de desfrutar cada momento.

 Tamanha inquietude se refletiu na história de cada um. Ela mal começou a vida e, aos seis anos, já aprendia os primeiros passos de balé. Tendo como mestre o professor Morozowicz, ela se dedicou à arte da dança por mais de 20 anos.

“Quando chegou o segundo filho, parei o balé e iniciei nova vida, ainda mais interessante”, afirma Ana Maria. Criou três filhos, acompanhou o marido em cada nova empreitada e, ainda, fez da Filosofia (curso que concluiu na Universidade Federal do Paraná em 1966) a forma de ajudar as pessoas, por meio da Filosofia Clínica. Hoje presta atendimento voluntário com o objetivo de resgatar as pessoas e amenizar o sofrimento de cada um.

Alunos seguem professor

Átila Alberti
Surgik: amor à vida.

O companheiro de Ana também coleciona feitos. Advogado e professor das disciplinas de Direito Romano e História do Direito, o popular professor Surgik, como é tratado carinhosamente pelos incontáveis alunos consegue o feito de numa das cinco universidades onde leciona reunir 131 estudantes aos sábados pela manhã, em disciplina optativa no curso de Direito.

Como se isso não bastasse, quase 300 alunos estão inscritos na lista de espera para tentar uma vaga para o próximo semestre do curso de Direito Romano. “As reformas na grade curricular de Direito fizeram, ao longo dos anos, o Direito Romano ser substituído pela História do Direito o que é uma temeridade já que é uma disciplina muito rica, a democracia é uma invenção romana”, avalia Surgik.

“O lado positivo disso tudo que em duas, das cinco universidades em que sou professor, abriram como opcional o cursos de Direito Romano e lotou de acadêmicos absolutamente interessados, que frequentam minhas aulas somente com o puro objetivo de aprender”, pondera.

Livro

Prestes a completar 74 anos, justamente no Dia das Crianças, ele faz da sua rotina um hino de amor à vida, ao Direito e ao latim. “O latim é de riqueza extraordinária, seu vocabulário é preciso e não pode morrer. Até porque estão descobrindo vários documentos jurídicos em latim que precisam ser traduzidos para termos acesso ao conhecimento de outras civilizaç,ões”, ressalta o entusiasta da língua.

No próximo dia 9, em bom português, será lançado o quinto livro desse mestre incansável. O título do novo livro é “Viajando pela história -do Direito Romano ao Direito Contemporâneo”. Aliás, viajar e conhecer novas formas de viver a vida é o passatempo predileto do casal Surgik.

Programa pra saúde

Hoje é bem comum encontrar locais com programação para as pessoas que não querem parar, mas há 20 anos, isso era uma raridade. Uma das pioneiras foi a assistente social Silvana Maria Escorsin, coordenadora do Programa Maturidade do Geap Fundação de Seguridade Social, que possui em torno de 22 mil assistidos.

“O programa surgiu na época em que houve correria dos servidores com idade para se aposentar, que fizeram isso para evitar perder benefícios com a reforma na Previdência no final da década de 90”, relembra. “O receio levou pessoas com 45 anos à aposentadoria e, com isso, muitas adoeceram. Foi aí que criamos o programa para promover a saúde no sentido mais amplo com atividades culturais, esportivas e de educação em saúde.”