Cerca de 2 milhões de pessoas trabalharam por meio de aplicativos no Brasil em 2025. A maioria atua por conta própria, com jornadas semanais mais longas que os demais ocupados no setor privado e ganhando menos por hora trabalhada.
As informações são da Agência Brasil.
Os dados fazem parte de uma edição sobre trabalho por meio de plataformas digitais da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada nesta sexta-feira (4) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O contingente de 1,959 milhão de trabalhadores por apps representava 1,9% do total de ocupados no país. Desse total, 1,2 milhão utilizam aplicativos de transporte de passageiros, como Uber e 99. Outros 376 mil trabalham como entregadores em plataformas como iFood e Rappi.
O IBGE mapeou ainda 313 mil pessoas que usam apps de prestação de serviços gerais ou profissionais, categoria que inclui designers, tradutores e até telemedicina.
Em 2025, o rendimento médio mensal do trabalho principal dos plataformizados foi de R$ 3.147, mesmo patamar dos não plataformizados. Porém, os trabalhadores por aplicativo tinham jornada semanal de 44,7 horas, superior à dos demais (39,3 horas).
Com isso, o rendimento por hora dos trabalhadores de app ficou em R$ 16,2, valor 12% menor que os não plataformizados (R$ 18,4 por hora).
A pesquisa mostra que 72,1% dos plataformizados estavam na informalidade, contra 42,7% dos demais trabalhadores. Apenas 34% tinham cobertura previdenciária, enquanto entre os não plataformizados esse índice chegava a 63%.
Entre os que trabalham com apps de transporte de passageiros, 80,2% afirmam que o valor a ser recebido por cada tarefa depende totalmente das plataformas digitais. Entre os entregadores, 78,3% disseram ter essa dependência.
O motivo principal que levou as pessoas a trabalharem por meio das plataformas foi não conseguir encontrar outro trabalho. Outras motivações apontadas foram flexibilidade e rendimento maior do que em outros trabalhos disponíveis.
Aproximadamente 1,6 milhão de pessoas ocupadas por aplicativos se declararam trabalhadores por conta própria. Essa marca representa 86,8% do total de plataformizados.
