A participação da indústria no total de ocupados nas seis principais regiões metropolitanas do Brasil recuou entre 2003 e 2007. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em junho de 2003 a fatia do setor industrial no total das seis regiões era de 17,7% e em junho de 2007, havia caído para 16,9%. Em São Paulo, a área da metrópole mais industrializada do País, a participação da indústria na ocupação caiu de 21,0% para 20,1% entre 2003 e 2007. O fenômeno se repetiu, em menor intensidade, nas demais regiões pesquisadas.

Por outro lado, o setor de serviços prestados à empresa, aluguéis, atividades imobiliárias e intermediação financeira elevou a sua fatia no período de 13,5% para 15,1%. Houve expansão em todas as regiões e, em São Paulo, a participação passou de 14,4% para 16,4%.

Outra atividade a mostrar elevação na fatia no total de ocupados nas seis regiões foi o de serviços domésticos, de 7,9% para 8 5%. Também neste caso, a região metropolitana de São Paulo, que concentra 40% dos trabalhadores nas seis áreas, mostrou o mesmo movimento: no período, essa atividade aumentou a participação de 7,5% para 8,1%.

Importados

O economista-chefe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Edgard Pereira, disse que a queda da participação da indústria na ocupação nos grandes centros tem a ver com dois fatores principais: crescimento da indústria em patamar inferior ao de outros setores, sobretudo o de serviços, e elevação do uso de componentes importados no setor.

Segundo Pereira, com o aumento das importações, o emprego cresce sempre em patamar abaixo da produção. Conforme ele, o fenômeno é resultado da adaptação das empresas industriais à valorização cambial. "Com a pressão da concorrência dos importados, algumas empresas têm buscado vantagens competitivas similares ao dos concorrentes estrangeiros, reduzindo custos", explicou. Essa redução ocorre na opção por componentes importados e pela decisão de cortar, ou pelo menos não contratar, trabalhadores.

Pereira sublinhou que as dificuldades geradas pelas importações são maiores nas indústrias intensivas em mão-de-obra, o que agrava a questão do emprego no setor. "O gasto com folha (de pagamento) desses setores é maior e como o câmbio pressiona muito os custos, a situação é mais difícil", disse.