O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, afirmou hoje que o compromisso com o crescimento da economia está incluído no contexto da estabilidade monetária. “Não há crescimento sustentável sem inflação baixa e previsível. Nossa contribuição para o crescimento é essa”, disse ele, ao ser questionado sobre a possibilidade de o BC adotar juntamente com a meta de inflação um objetivo também para o crescimento econômico.

Tombini também respondeu a uma pergunta sobre se o BC não estaria “enxugando gelo” com as medidas cambiais adotadas hoje em função do cenário de grande liquidez de recursos no mercado internacional. Ele afirmou que as medidas de caráter prudencial têm como finalidade permitir o funcionamento adequado do mercado. “Esse é o objetivo. Pode ter uma análise que parta do pressuposto de que o objetivo não esse, o que não é o caso”, ponderou, acrescentando que as medidas são consagradas internacionalmente para assegurar a estabilidade de mercado.

O presidente do BC disse que, após as medidas prudenciais de dezembro, espera “moderação” no ritmo de crescimento do crédito ao consumo em 2011. Segundo ele, o ritmo de expansão deve cair para perto de 10% neste ano. “O ritmo será mais moderado que o visto no ano passado”, afirmou. “Após as medidas de dezembro, o crédito deve ter um crescimento mais moderado, mais seguro”.

Durante a primeira entrevista coletiva após assumir o cargo, Tombini afirmou que muitos países – em especial os emergentes, como o Brasil – têm observado fortalecimento de suas moedas. Isso, porém, não teria relação com o patamar de juros desses países. “Isso não tem a ver com o juro, mas sim com o fortalecimento das economias desses países”, disse.

Tombini admitiu que o BC vai intensificar a agenda de estímulo à redução do spread bancário. Segundo ele, os spreads bancários ainda são altos no País. “Já avançamos nessa matéria com uma série de medidas reforçando a portabilidade do crédito, do cadastro e do salário”, afirmou.