Brasília – O ministro da Previdência, Ricardo Berzoini, anunciou ontem que o teto para o pagamento de aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) vai subir dos atuais R$ 1.561 para cerca de R$ 1,8 mil, em junho próximo. Esta correção corresponde à inflação pelo INPC. A notícia, dada em audiência ontem na Comissão Especial da Reforma da Previdência na Câmara, não poupou Berzoini de um bombardeio de perguntas e críticas ácidas de deputados da base aliada à reforma da Previdência e ao projeto de lei que permite a criação de fundo de previdência complementar para os futuros servidores públicos.

O deputado Roberto Gouveia (PT-SP) chegou a propor a realização de plebiscito sobre a reforma da Previdência. “Já recolhi 15 assinaturas para o projeto que prevê o plebiscito”, contou Gouveia. “Toda a forma de consulta tem o meu apoio. Se eu estivesse exercendo o mandato de deputado assinaria seu requerimento”, afirmou o ministro. Depois de ser alertado pelo deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) de que um plebiscito atrasaria a reforma da Previdência, Berzoini ponderou, ao fim da audiência, que a consulta popular não substitui o Congresso, o qual irá votar a proposta do governo.

As críticas mais duras à reforma vieram de deputados das alas radicais do PT. A deputada Luciana Genro (PT-RS) disse estar “bastante contrariada” com a proposta do governo e reclamou da carta de intenções assinada entre o governo brasileiro e o Fundo Monetário Internacional (FMI), que prevê a votação do projeto, conhecido como PLP 9, que estabelece o teto do INSS para as aposentadorias dos futuros servidores públicos e permite a criação de fundos de previdência complementar.

O ministro Berzoini manteve a calma durante toda a audiência e voltou a defender o PLP 9. Garantiu ainda que a contribuição total dos futuros servidores federais será mantida em 11%.