O Tesouro Direto suspendeu as negociações na manhã desta segunda-feira (26), às 10h, por tempo indeterminado. O motivo foi a alta variação nas taxas de juros dos títulos públicos, que ocorreu logo na abertura do primeiro pregão após a vitória do presidente Lula (PT). Até as 13h, o comunicado seguia ativo, com previsão de normalização ao longo do dia. As informações são da Gazeta do Povo.
O Tesouro Direto permite que pessoas físicas invistam em títulos da dívida pública federal. Na prática, o investidor empresta dinheiro ao governo e recebe de volta o valor aplicado mais a remuneração prevista. Os recursos captados financiam a dívida pública.
Para reduzir a pressão sobre o mercado, o Tesouro Nacional realizou um leilão extraordinário nesta segunda e recomprou 8,4 milhões de títulos prefixados por cerca de R$ 7,1 bilhões. Desse valor, R$ 5 milhões venceriam em 2031, R$ 2,4 milhões em 2033 e R$ 1 milhão em 2037.
Governo cancela três leilões previstos para esta semana
Três leilões de títulos públicos programados para esta semana foram cancelados. Na terça-feira (27), seria vendido o NTN-B, cuja remuneração soma uma taxa fixa à variação da inflação pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). No Tesouro Direto, títulos semelhantes são oferecidos como Tesouro IPCA+.
Na quinta-feira (29), estava previsto o leilão do título NTN-F, que paga juros fixos semestralmente, e também das Letras do Tesouro Nacional (LTN). Neste último caso, o investidor compra uma unidade que promete pagar R$ 1 mil no vencimento. Para ter lucro, o valor de compra precisa estar abaixo disso.
Com a alta da percepção de risco, o mercado passou a exigir remuneração maior, encarecendo a captação para o governo. A taxa de retorno exigida pelos investidores é formada a partir das propostas apresentadas no leilão. Quanto menor o preço aceito pelo título, maior tende a ser essa taxa.
Títulos de renda fixa registram aumento nas taxas
Os títulos de renda fixa acessíveis ao pequeno investidor também foram atingidos. No Tesouro Direto, o Tesouro Prefixado 2032 passou de uma remuneração de 12,89% ao ano na sexta-feira (23) para 15,78% nesta segunda (26).
Entre os títulos ligados à inflação, o IPCA+ 2032 subiu de 6,76% ao ano antes do segundo turno para 8,10% nesta segunda. Na ponta mais longa, o IPCA+ com Juros Semestrais 2060 passou de IPCA mais 6,50% ao ano para IPCA mais 7,66% entre sexta e segunda-feira.
No mercado financeiro, os contratos futuros de Depósito Interfinanceiro (DI) funcionam como termômetro das expectativas para os juros. O contrato com vencimento em janeiro de 2028 passou de 12,859% ao ano na sexta para 14,915%.
Para quem já tinha um título, a alta dos juros pode provocar perda de valor caso o papel seja vendido antes do vencimento. O governo também passa a enfrentar custos maiores para captar recursos. Empresas e consumidores tendem a enfrentar crédito mais caro, uma vez que as taxas de mercado servem como referência para empréstimos e financiamentos.
