Mesmo com as incertezas de 2014, o Tesouro Nacional conseguiu cumprir todas as metas fixadas no Plano Anual de Financiamento (PAF). É o que mostra o resultado da Dívida Pública Federal no ano passado, divulgado na tarde desta quarta-feira, 28, pelo Ministério da Fazenda.

O Tesouro Nacional, no entanto, não conseguiu promover avanços mais acentuados no perfil da dívida. Boa parte dos indicadores ficou mais próxima dos limites menos otimistas das bandas fixadas.

No caso da parcela de prefixados do total da DPF, houve inclusive um recuo na melhora obtida ao longo de 2013. A fatia desses papéis – considerados melhores para a gestão da dívida pública – caiu de 42,02% em 2013 para 41,58% ao final do ano passado. A parcela ficou bem distante do teto da meta do PAF, fixada entre 40% (mínimo) e 44% (máximo).

Já a parcela da DPF atrelada à taxa Selic teve um tímido recuo em 2014 com o processo de menor oferta desses papéis no início do ano passado pelo Tesouro. A parcela caiu de 19,11% para 18,66%. A banda do PAF fixada para esse tipo de papel variava de 14% a 19%. Portando, o parcela ficou próxima do cenário mais pessimista traçado pelo Tesouro Nacional.

Para esse tipo de papel com taxa flutuante e que traz mais risco de financiamento em caso de choque de juros, o Tesouro quer reduzir a participação, ao contrário do que ocorre com prefixados e atrelados à inflação – títulos que o governo quer aumentar no estoque da dívida.

A participação de papéis atrelados à inflação também apresentou tímida evolução, saindo de 34,53% em 2013 para 34,91%. A banda do PAF variava entre 33% e 37%. Os dados mostraram que o Tesouro não conseguiu chegar perto do cenário mais otimista. A parcela vinculada à taxa de câmbio subiu de 4,35% para 4,85% – ficando também dentro da meta do PAF (mínimo de 3% e máximo de 5%)

Alongamento

Apesar das dificuldades, o Tesouro conseguiu o alongamento dos prazos dos papéis da dívida. O prazo médio subiu de 4,18 anos para 4,42 anos, ficando próximo do teto da meta do PAF (mínimo de 4,3 anos e máximo de 4,5 anos). Foi a melhor performance para a dívida.

A dívida de curto prazo (a vencer em 12 meses), que é um dos principais indicadores de solvência do endividamento público, ficou em 24,03%, próximo do teto da banda de 21% a 25%. Nesse caso, quando maior a parcela, pior é o indicador, porque uma quantidade maior de papéis vence ao longo de um ano.