O Tesouro Nacional emitiu hoje R$ 5,8 bilhões em títulos públicos para captar recursos que serão transferidos ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Com a operação, o Tesouro concluiu a última parcela dos R$ 80 bilhões que o BNDES receberá este ano para ampliar a oferta de crédito subsidiado às empresas. A maior parte dos recursos já tinha sido captada no dia 20 de abril.

O governo, no entanto, tem se recusado a informar qual a remuneração que o BNDES pagará ao Tesouro. A emissão de títulos públicos significa mais endividamento do governo e tem um custo para o Tesouro.

Os recursos irão reforçar as linhas de financiamento do Programa de Sustentação dos Investimentos (PSI), lançado no final do ano passado para estimular o setor de bens de capital (máquinas e equipamentos), o último a se recuperar do impacto da crise financeira externa. O programa, que terminaria em 30 de junho, foi prorrogado até o final do ano e recebeu este reforço de R$ 80 bilhões do Tesouro. Com isso, o limite de financiamento do BNDES para o PSI subiu para R$ 124 bilhões.

Como as linhas têm juros menores que as praticadas pelo banco, o Tesouro também arcará com R$ 13,1 bilhões em subsídios até o final de 2011. O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou na semana passada a distribuição dos novos recursos dentro do programa. Uma linha de R$ 7 bilhões irá para financiar a produção de bens de consumo duráveis, como automóveis e aparelhos eletrônicos, voltados para o mercado externo.

Outra, voltada para o financiamento de aquisição e produção de bens de capital, foi reforçada em R$ 44,5 bilhões, passando para R$ 62,5 bilhões. Esta linha tem R$ 8 bilhões para financiar apenas usinas hidrelétricas, como Belo Monte (PA). Já a linha de crédito destinada a financiar a exportação de bens de capital teve o limite ampliado de R$ 8,6 bilhões para R$ 15,9 bilhões.