Terceirizados da Eletropaulo prometem greve de 24 horas

Cerca de 4 mil trabalhadores terceirizados da AES Eletropaulo prometem entrar em greve amanhã por 24 horas em busca de melhores condições de trabalho. A paralisação envolve os funcionários de sete empreiteiras, que executam serviços como manutenção e ampliação da rede de energia, além de atendimento aos consumidores nos serviços de corte, religação e ligação nova. “Os trabalhadores estão em dificuldades porque não possuem benefícios nem recebem hora extra”, explicou o presidente do Sindicato dos Eletricitários de São Paulo, Carlos Reis.

Segundo Reis, os trabalhadores terceirizados reclamam do fato de que os salários praticados pelas empreiteiras são inferiores aos da AES Eletropaulo. “O piso salarial para o eletricista da companhia é de R$ 1.050. Já o terceirizado, na mesma função, recebe das empreiteiras R$ 650”, disse. Inicialmente, a greve terá duração de 24 horas. Conforme o ritmo das negociações, o sindicato poderá promover uma paralisação de 48 horas, a partir de 22 de setembro, e de 72 horas, a partir de 1º de outubro. “A greve será analisada diante das propostas”, afirmou.

Reis disse que as empreiteiras alegam que a AES Eletropaulo não cumpre os termos dos contratos, o que reduziu o faturamento dessas empresas. “As empreiteiras dizem que a mudança no sistema comercial provocou aumento de custos que não foram compensados pela AES Eletropaulo”, afirmou. O sindicalista contou, por sua vez, que a distribuidora argumenta estar seguindo integralmente os termos dos contratos com as empreiteiras.

Em nota, a AES Eletropaulo disse que mantém um “relacionamento comercial” com as empreiteiras e que todos os “contratos são firmados seguindo a legislação trabalhista vigente”. A companhia ainda informou que, “para assegurar o cumprimento da lei e garantir o correto atendimento aos clientes, a AES Eletropaulo fiscaliza as empresas-parceiras” e que a concessionária “não pode interferir nas relações trabalhistas das empreiteiras e seus empregados”.

Reis disse que nenhum trabalhador terceirizado ficará de plantão na AES Eletropaulo para executar as funções afetadas pela paralisação. “Se é terceirizado, trata-se de um trabalho não essencial. Por isso, não há nenhuma obrigação legal em manter um quórum mínimo de trabalhadores terceirizados para executar essas tarefas”, explicou o sindicalista.

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