A crise política voltou a ser o foco de atenção no câmbio no fechamento da semana. O resultado foi uma alta de 1,19% no dólar, que terminou a sexta-feira valendo R$ 2,374. Na semana, a moeda norte-americana acumulou valorização de 2,8%. Anteontem, a divisa já havia subido 2,89% – maior alta desde 31 de maio do ano passado -, por conta de um leilão de compra de dólares realizado pelo Banco Central.

A atuação do BC e o depoimento do publicitário Duda Mendonça à CPI dos Correios, na quinta-feira, adicionaram volatilidade aos mercados, que começaram o dia na expectativa de um pronunciamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Duda confirmou que recebeu R$ 15,5 milhões de caixa dois do empresário Marcos Valério, apontado como um dos operadores do ?mensalão?.

A fala do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, entretanto, não trouxe nenhum esclarecimento sobre as denúncias de corrupção.

No pronunciamento, o presidente pediu desculpas à população e disse que se sente traído. Visivelmente abatido, Lula fez um discurso contido, sem gesticular muito ou fazer improvisações.

?O presidente insistiu em dizer que o partido é honesto e reafirmou dados positivos da economia brasileira. Era melhor ele não ter se pronunciado?, afirmou Carlos Alberto Abdalla, da corretora Souza Barros.

Para Ricardo Martins, da corretora Concórdia, o pronunciamento de Lula não trouxe surpresas e só serviu para provocar volatilidade nos negócios.

A alta do dólar só não foi maior no fechamento do câmbio porque alguns exportadores aproveitaram para vender divisas. Pela manhã, a moeda norte-americana atingiu R$ 2,406 – avanço de 2,55% -, em razão da apreensão com o pronunciamento do Lula.

Mário Battistel, da corretora Novação, ressalta que o mercado mantém cautela por conta das expectativas com o noticiário do final de semana.