O Tribunal de Contas da União (TCU) alertou o governo federal que os Correios podem enfrentar risco de sobrevivência financeira se não houver mecanismos de compensação de custos. A advertência foi aprovada nesta quarta-feira (22) e aponta que a obrigação constitucional de oferecer serviço postal em todo o país gera despesas que a estatal não consegue arcar sozinha. As informações são da Gazeta do Povo.
A análise do TCU identificou uma incompatibilidade entre a exigência constitucional de universalização dos serviços postais e a realidade financeira da empresa. A universalização obriga os Correios a atuar em todo o território nacional, mesmo em regiões onde o custo operacional supera o lucro. Segundo o órgão, essa política de compensação de desigualdades regionais não funciona se apenas a estatal arca com os gastos.
Essa situação explica a necessidade constante de empréstimos. Em dezembro de 2025, os Correios contrataram um crédito de R$ 12 bilhões para lidar com o endividamento. Em fevereiro deste ano, a empresa precisou pedir autorização para tomar mais R$ 8 bilhões emprestados. O TCU destacou que a estrutura de custos é rígida e concentrada em gastos fixos, especialmente com pessoal e despesas corporativas, o que limita a capacidade de ajuste diante da queda na demanda postal.
Os Correios vivem um momento difícil após atingirem lucro recorde de R$ 3,7 bilhões em 2021, impulsionado pelo crescimento das encomendas durante a pandemia de covid-19. No ano seguinte, começou um ciclo de prejuízos que chegou a R$ 8,5 bilhões em 2025. Para enfrentar a crise, a estatal executa um plano de reestruturação que inclui, além dos empréstimos, programas de demissão voluntária com meta de atingir 15 mil funcionários até 2027.
O TCU recomendou que a ineficiência operacional seja medida com critérios mais objetivos e que os indicadores sejam divulgados de forma transparente. A sugestão inclui a elaboração de um relatório sobre o desempenho, os custos e o impacto social da universalização, voltado para a compreensão do público em geral.
