A auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) em 17 contratos de crédito à exportação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) na área de energia indica que cerca de 66% dos desembolsos para o pagamento de salários e benefícios em dois empreendimentos da Odebrecht em Angola podem ter sido indevidos. Com isso, segundo o relatório, US$ 148 milhões podem já ter sido pagos irregularmente, sem que o banco tenha buscado qualquer ressarcimento até agora, embora parte desses projetos tenha sido suspensa pelo banco em 2016 por suspeitas de irregularidade.

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De acordo com o tribunal, os custos com mão de obra expatriada nas obras das hidrelétricas de Cambambe e Laúca, contratadas em 2010 e 2013, foram, em média, 2,25 vezes maiores que os valores das outras obras analisadas. Além disso, o valor dos salários declarado pela Odebrecht foi 2,6 vezes maior do que o declarado no sistema de Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do antigo ministério do Trabalho.

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O TCU também observou que uma mudança nos controles do banco, realizada em fevereiro de 2015, mudou essa trajetória. O montante total financiado de mão de obra em janeiro de 2015 foi 3,68 vezes maior que no mês seguinte, quando os novos controles já estavam em vigor.

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“A partir do momento em que o BNDES exigiu maiores comprovações, restou claro que os valores anteriormente desembolsados estavam superestimados, com as construtoras se aproveitando da ausência de controle para obtenção de maiores valores de financiamento”, afirma o TCU no relatório. “Mesmo assim, não há, na documentação encaminhada pelo BNDES, qualquer evidência de que o banco tenha identificado tais incongruências e providenciado ajustes nos valores anteriormente desembolsados a maior”, completa.

Procurada, a Odebrecht informou que “até o momento não foi demandada pelo TCU e que, caso isso ocorra, serão apresentados os devidos esclarecimentos à instituição”.

O BNDES não quis responder aos questionamentos enviados pela reportagem e informou que está preparando as respostas para o TCU.