A chamada ‘crise das LFTs’, que gera prejuízo às instituições financeiras e cria uma queda-de-braço entre elas e o Banco Central, foi outro assunto importante do dia. Mas o Banco Central se manteve presente no mercado, na tentativa de amenizar as perdas. O Banco Central trocou Letras Financeiras do Tesouro (LFTs) com vencimento em 2004, 2005 e 2006 por títulos mais curtos, com resgate em março de 2003, e com taxa de remuneração predeterminada. O volume total da operação chegou a R$ 10,9 bilhões.
Com isso, o BC encurtou sua dívida em títulos pós-fixados, o que contraria a política do governo. O objetivo desse e de outros leilões dessa natureza que estão sendo realizados é acalmar o mercado, que quer evitar títulos mais longos. Ao aceitar a operação de ontem, os investidores aceitaram assumir prejuízos com os títulos revendidos, devido ao temor de perdas maiores no futuro.
Pelo terceiro dia seguido, o mercado registrou um fenômeno estimulado pelo banco norte-americano J.P. Morgan: o medo de investir no Brasil, que ultrapassou a barreira psicológica dos 1.000 pontos colocando o País atrás de duas nações com saúde financeira instável, o Equador (1.235 pontos) e Nigéria (1.296)l. Estes dois países ficam somente atrás da Argentina, cuja taxa de risco é estratosférica (6.043) e tem uma saúde financeira calamitosa.
Este indicador é importante porque ele reflete a desconfiança do investidor estrangeiro em relação à capacidade de um país pagar suas dívidas. E traduz o movimento dos preços dos títulos da dívida lançados pelos países e negociados diariamente no mercado internacional. Trocando em miúdos, uim risco-país de 1.132 pontos significa que o mercado exige 11,32 pontos percentuais a mais de juros dos papéis brasileiros do que pagam os títulos dos Estados Unidos, considerados de risco zero. A oscilação dos preços desse título e do risco-país são levados em conta pelo governo na hora de decidir os rumos dos juros básicos da economia. Se os papéis recuaram muito e o risco-Brasil permanecer acima de 1.000 pontos, o espaço para o corte da taxa, atualmente em 18,5% ao ano, se estreita.
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