O ministro da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Social, Tarso Genro, disse ontem que o governo está adotando uma série de medidas para incentivar a geração de empregos. No entanto, Genro disse que nenhuma das políticas em andamento terá efeito imediato na economia. “Não é uma única medida. É um conjunto harmônico de medidas. Nenhuma é espetacular e de efeito imediático ou impressionista”, disse ele ontem em São Paulo, depois de participar de encontro na Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo).

Segundo ele, o governo está empenhado no desenvolvimento de “medidas consistentes para a retomada do crescimento (econômico) e da geração de empregos”.

Entre as ações consistentes estão a desoneração dos bens de capital, redução das taxas de juros, descontingenciamento do orçamento e os projetos de PPP (parceria público-privada).

Tarefa modesta

Depois de dizer que não tinha “cara de superministro”, Genro afirmou que o governo quer iniciar um projeto nacional de desenvolvimento que só pode ser sustentado com um novo pacto político-social. “E é aí que entra minha tarefa, que eu tento cumprir modestamente”, disse ele.

Cotado para o superministério do Desenvolvimento Social, Genro afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva detém o “monopólio” sobre a nomeação para o cargo.

“Eu não tenho cara de superministro. Sou ministro médio. A única coisa que o presidente nos disse (na reunião ministerial de ontem) é que a reforma vai sair e que os tempos e momentos são da sua coordenação”, afirmou ele.

Conselhinhos

Tarso Genro está preparando o lançamento de miniconselhos nas principais regiões do país. Seriam uma espécie de “conselhinhos” subordinados ao CDES, o chamado Conselhão – órgão consultivo da Presidência da República -, composto por representantes da sociedade civil – empresários, religiosos, sindicalistas e ministros.

Genro esteve ontem em São Paulo discutindo o funcionamento do CDES em escala regional com o presidente da Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo), Raymundo Magliano.

“Já estamos tratando em diversos Estados sobre o processo de capilarização do pacto social e da concertação (harmonização de conflitos) nacional”, disse Genro.

Segundo Magliano, a reunião de ontem foi a primeira de uma série que serão realizadas para montar o “conselhinho”. “Esses conselhos (menores) podem começar a atuar na solução de problemas regionais e enviando sugestões para o grande Conselho (nacional).”

Dessa forma, o Conselhão ficará livre para discutir apenas questões nacionais, já que a solução de problemas menores serão responsabilidade do “conselhinho”. “Existem temas nacionais (que serão negociados) para um grande acordo nacional, um novo contrato social”, afirmou Magliano. “A idéia é capilarizar e disseminar o Conselho por todo o país. Num futuro próximo teremos vários Conselhos em várias regiões do país”, disse Magliano.

Segundo ele, essa forma de tratar a política nacional é “muito democrática”. “Teria representação de todos os segmentos da sociedade civil.”