As tarifas públicas caíram 0,35% em Curitiba no mês passado. Foi o quarto mês consecutivo de queda e o segundo em que a gasolina figurou como o item que mais contribuiu para a variação negativa do índice. Com o resultado de setembro, os preços administrados por contrato e monitorados acumulam no ano (janeiro a setembro) queda de 1,23%. No acumulado dos 12 meses, a queda é de 0,20% – a primeira variação negativa nesta comparação, desde que a pesquisa começou a ser realizada, em 2002, pelo Sindicato dos Engenheiros do Paraná (Senge-PR), em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos, regional Paraná (Dieese-PR).
?Nesse período (últimos 12 meses), vimos o preço da energia elétrica (de baixa tensão) cair quase 6,5% no Paraná. Também vimos o preço da telefonia fixa cair 0,44%, depois de um aumento de mais de 900% desde o início do Plano Real?, apontou o presidente do Senge-PR, Ulisses Kaniak. A valorização do câmbio – que tem peso importante na formação do Índice Geral de Preços (IGP), um dos indexadores da telefonia e da energia elétrica – contribuiu para as reduções dos preços.
Gasolina
Conforme levantamento apresentado ontem pelas duas entidades, o preço da gasolina comum caiu 1,35% em Curitiba, com o litro passando de R$ 2,363, em média, em agosto, para R$ 2,331 em setembro. A redução da margem de lucro dos donos de postos foi o principal fator – enquanto em agosto o lucro era de R$ 0,185 por litro de gasolina vendido, em setembro passou para R$ 0,163, ou seja, queda de quase 12%.
Com o preço naquele patamar, Curitiba foi no mês passado a capital com a gasolina comum mais barata do país entre 16 pesquisadas pelo Dieese. Na comparação com outras 30 cidades do Paraná, Curitiba também apresentou o menor preço. O maior foi verificado em Laranjeiras do Sul, oeste do estado, onde o litro era vendido por R$ 2,654, em média. No acumulado do ano, o preço da gasolina caiu 2,02% na capital paranaense.
A ?farra? do preço baixo, porém, chegou ao fim na semana passada, quando vários postos de Curitiba reajustaram o preço da gasolina para R$ 2,59. O economista do Dieese-PR, Sandro Silva, não acredita, porém, na sustentação desse novo patamar. A estimativa, segundo ele, é que a gasolina encerre outubro com o preço médio de R$ 2,45 – ou seja, alta de 4,91% na comparação com setembro. Com isso, as tarifas públicas reverteriam a queda verificada nos últimos quatro meses e fechariam outubro com alta de 0,83%.
Outros itens que tiveram redução nos preços, mas de forma bem menos expressiva, foram o álcool combustível (queda de 8,24%), diesel (-0,22%) – ambos, porém, não fazem parte da cesta de tarifas públicas analisada -, além de gás de cozinha (-0,16%) e transporte coletivo (-0,30%). Em setembro, o custo médio dos serviços públicos para uma família curitibana foi de R$ 479,22. Para outubro, a estimativa é que a cesta de tarifas públicas aumente para R$ 483,19, influenciada sobretudo pelo preço da gasolina.


