As novas tarifas impostas pelos Estados Unidos vão atingir US$ 6,6 bilhões em produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano. A sobretaxa acumulada de 37,5% alcança 16,5% das exportações brasileiras para os EUA. As informações são da Agência Brasil.
A medida resulta da combinação de uma tarifa adicional de 25%, anunciada anteriormente pelo governo do presidente Donald Trump, com uma nova sobretaxa de 12,5%, divulgada na quinta-feira (23). Quando as duas incidem sobre o mesmo produto, a alíquota chega a 37,5%.
Entre os itens atingidos estão máquinas e equipamentos, diferentes tipos de madeira, gorduras e óleos, calçados, móveis e confecções. Produtos como café, carnes, aeronaves, suco de laranja, frutas, ferro fundido, grande parte da celulose e diversos químicos seguem sem as novas sobretaxas.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), as novas medidas tarifárias alcançam 23,1% das exportações destinadas aos Estados Unidos. Do total exportado, 52,7% (US$ 21,3 bilhões) permanecem fora das novas sobretaxas.
Grande parte das novas medidas foi adotada com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. Esse dispositivo autoriza o governo norte-americano a investigar práticas comerciais de outros países consideradas injustas ou prejudiciais aos interesses dos Estados Unidos.
O endurecimento das tarifas ocorre em meio à perda de ritmo do comércio entre os dois países. Após atingir o recorde de US$ 40,4 bilhões em exportações para os Estados Unidos em 2024, as vendas brasileiras recuaram para US$ 37,7 bilhões em 2025 e continuaram em queda ao longo de 2026.
No primeiro semestre deste ano, as exportações brasileiras para o mercado norte-americano somaram US$ 17,4 bilhões, retração de 13% em comparação com igual período do ano passado. Os principais recuos ocorreram em petróleo bruto, com queda de 30,4%, e produtos semiacabados de ferro e aço, com retração de 21,7%.
Como consequência, a participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras caiu de 12,1% para 9,4% entre os primeiros semestres de 2025 e 2026. As medidas passaram a vigorar em julho de 2026, com exceção para mercadorias já embarcadas antes da entrada em vigor das novas regras.
