Brasília (ABr) – O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, disse que proposta de redução de tarifas para produtos não-agrícolas a ser encaminhada pelo Brasil na reunião ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), prevista para dezembro, em Hong Kong, está condicionada a soluções internas para a produção.

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Furlan não quis dar detalhes sobre a fórmula que vem sendo debatida na Câmara de Comércio Exterior (Camex). Ele reconheceu, porém, que o governo ainda não conseguiu realizar políticas que permitam maior abertura do seu mercado, como vêm fazendo outros países em desenvolvimento.

?Nossa proposta é baseada num princípio chamado isonomia competitiva. Nós podemos ter um grau de abertura maior, se o custo Brasil for eliminado. No dia em que tivermos infra-estrutura que funcione, taxa de juros equivalente à da China, Índia, Argentina, Rússia e México, poderemos ter taxa de importação semelhantes às deles?, afirmou. ?Enquanto a produção nacional for onerada sistemicamente por incompetências que nós temos e estamos procurando corrigir, o imposto de importação acaba sendo uma compensação ao nosso custo adicional?, disse Furlan.

O ministro defendeu a abertura continuada do mercado brasileiro ?porque ela beneficia a competitividade das empresas, atrai investimentos e principalmente beneficia o consumidor brasileiro, dá maior qualidade aos produtos oferecidos e estabilidade de preços?. Ele ressaltou, entretanto, que o País não fará nenhuma abertura unilateral, sem que haja contrapartidas nos produtos que são de nosso interesse.

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?Ao mesmo tempo estaremos respeitando produtos onde há maior sensibilidade da produção brasileira?, disse Furlan para tranqüilizar o setor produtivo. ?Além disso, essa abertura será feita ao longo do tempo, em cinco ou dez anos, dependendo de como for a contrapartida. Não há motivo para receio de curto prazo da indústria nacional e da produção nacional. O governo brasileiro não fará nenhuma abertura temerária, mas fará sim a abertura porque ela é boa para o Brasil e é boa para os consumidores.?

Desde ontem, negociadores brasileiros participam, em Genebra, de discussões preparatórias à reunião de Hong Kong, cujo tema é a abertura dos mercados aos bens não-agrícolas, chamada de Nama (No-Agricultural Market Access), no âmbito da rodada de Doha da OMC. Em 2001 os negociadores reunidos em Doha colocaram como prioritária a abertura, especialmente nos países industrializados, aos mercados agrícolas – com eliminação de barreiras principalmente dos países em desenvolvimento. Em contrapartida, os países em desenvolvimento deverão reduzir as suas barreiras para bens industriais e serviços.

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?O que o governo brasileiro está estudando é exatamente qual será o limite de concessões que nós poderemos dar na OMC, tendo em vista que os países desenvolvidos abrirão os seus mercados para produtos de interesses prioritários do Brasil e do Mercosul e ao mesmo tempo eliminarão num prazo curto, esperamos até 2010, os subsídos a exportação que hoje nos prejudicam fortemente?, comentou.