Economia

Talibã reconquista espaço diplomático cinco anos após retomar Afeganistão

Ilustração sobre economia e finanças com a logo da Tribuna do Paraná no canto superior esquerdo. A imagem mostra moedas empilhadas, uma calculadora, cédulas de real, gráficos financeiros, indicadores de crescimento e um caderno com relatórios. Ao fundo, aparece um prédio institucional desfocado com a bandeira do Brasil, simbolizando decisões econômicas, mercado financeiro, impostos, programas governamentais e economia popular. Design clean, moderno e voltado para conteúdos de notícias econômicas.
Decisões econômicas, inflação e mercado: entenda como os rumos da economia afetam o seu dia a dia. Foto: Imagem criada com IA.

Cinco anos após retomar o controle do Afeganistão, em 15 de agosto de 2021, o regime talibã reconquistou espaço no cenário internacional e agora negocia com países ocidentais, incluindo nações da União Europeia. A reaproximação ocorre em nome do combate ao terrorismo e da gestão migratória, mesmo sem concessões substantivas em direitos humanos. As informações são da Gazeta do Povo.

O país foi pacificado pela força e pelo cansaço da população. Segundo o South Asia Terrorism Portal, menos de 100 civis morreram em ataques terroristas em 2025. A Missão de Assistência das Nações Unidas no Afeganistão reconheceu a redução do conflito em grande escala, e o Uppsala Conflict Data Program classifica o país em paz desde 2022.

Pesquisadores da Durham University, na Inglaterra, e da Universidade da Ásia Central, no Cazaquistão, ressaltam que a segurança relativa decorre sobretudo de o principal perpetrador da violência, o próprio Talibã, ter cessado os ataques após conquistar o poder. As forças de segurança respondem com brutalidade à dissidência.

O governo arrecada cerca de US$ 4 bilhões por ano em impostos e outras receitas, quase 60% a mais que em 2020, segundo o Banco Mundial. A inflação anualizada alcançou 7,6% em março de 2026, e o PIB per capita é de US$ 2.300, o nível de meados dos anos 2000.

As Nações Unidas calculam que 21,9 milhões de pessoas, cerca de 45% da população, precisarão de assistência em 2026. Mais de 3,7 milhões de crianças sofrem de desnutrição aguda. A assistência humanitária caiu de US$ 4 bilhões em 2020 para US$ 1,2 bilhão em 2025.

O retorno forçado de cerca de 6 milhões de afegãos, vindos do Paquistão e do Irã, aprofunda a crise. O Paquistão fechou a fronteira, o que elevou os preços dos alimentos. Um ataque paquistanês em março matou 269 pessoas, segundo a BBC.

O Afeganistão é o único país do mundo que proíbe formalmente meninas de estudar além do ensino primário. São 2,4 milhões de meninas afastadas das salas de aula, sob mais de 100 decretos que restringem as atividades das mulheres. A alfabetização no país é de apenas 37%.

O emir de Kandahar, Haibatullah Akhundzada, de cerca de 60 anos, concentra poder e raramente aparece em público. Ex-clérigo e juiz da sharia, impôs segregação estrita de sexos e o apagamento das mulheres da vida pública. Com a segregação de pacientes e médicos e a expulsão de médicas, a mortalidade materna em Herat foi cinco vezes maior no primeiro semestre de 2026 do que no mesmo período de 2025.

O isolamento internacional começou a rachar em 2023, quando chefes das missões britânica e alemã para o Afeganistão passaram a viajar com frequência a Cabul. Em março de 2025, os Estados Unidos retiraram sanções de três altos funcionários talibãs.

Em 23 de junho de 2026, altos funcionários talibãs viajaram a Bruxelas para negociar com representantes de cerca de 15 países da União Europeia a volta de afegãos com asilo rejeitado. Na sequência, a Alemanha deportou, em julho, o primeiro exilado. A ONU defende um diálogo mais profundo com o regime.

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