Foto: Arquivo/O Estado

 Altamir Lopes: "Fechar o ano com US$ 16 bilhões é factível".

O Brasil teve em setembro um saldo positivo de US$ 2,38 bilhões no conjunto de todas as transações comerciais e de serviços com o exterior. O bom desempenho foi puxado pela balança comercial, que registrou superávit de US$ 4 33 bilhões, fortalecendo o ingresso de divisas externas no País.

Por outro lado, o Brasil teve despesas de US$ 915 milhões no pagamento de juros e as empresas remeteram US$ 644 milhões a título de lucros e dividendos a suas matrizes no exterior. A conta de transações correntes mostra a capacidade de o País gerar dólares para sua economia.

De janeiro a setembro, o superávit na conta de transações correntes do País atingiu a marca de US$ 11,1 bilhões. Esse valor corresponde a 1,91% do Produto Interno Bruto (PIB). Em igual período de 2004, o saldo foi positivo em US$ 9,7 bilhões e representava 2,16% de toda a produção nacional.

"Os resultados apresentados são positivos e têm permitido que o País acumule reservas internacionais e reduza substancialmente o endividamento externo", afirmou o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes.

Segundo ele, esse movimento ajuda a melhorar os indicadores pelos quais os analistas medem a capacidade de o País pagar dívidas. O resultado positivo das contas externas também torna menor a fragilidade do Brasil diante de mudanças de humor no cenário econômico internacional.

Nos últimos 12 meses encerrados em setembro, o superávit em conta corrente alcançou os US$ 13,1 bilhões, ou 1,78% do PIB. A projeção para este ano é de que esta conta tenha saldo positivo de US$ 9,4 bilhões.

Isso significa que nos últimos dois meses do ano esta conta deve apresentar saldo negativo, já que, segundo Lopes, em outubro ainda deve haver um superávit de US$ 800 milhões. Para 2006, o BC revisou para cima sua projeção para a conta corrente, que passou de um saldo positivo de US$ 500 milhões para US$ 700 milhões.

A conta capital e financeira do balanço de pagamentos, que registra os investimentos estrangeiros diretos e as operações com o exterior nos mercados de títulos e ações, teve em setembro saldo positivo de US$ 752 milhões. Mas, no ano, essa conta registra saída de recursos da ordem de US$ 3,3 bilhões.

A diferença entre o ingresso de US$ 11,1 bilhões pela conta corrente e a saída apresentada na conta capital e financeira significou um aumento de US$ 7,1 bilhões nas reservas internacionais do País neste ano, que até o mês de setembro, sem os recursos do Fundo Monetário Internacional (FMI), estavam em US$ 42,950 bilhões. Considerando os recursos do FMI, as reservas em setembro ficaram em US$ 57 bilhões.