A Receita Federal, Estados e municípios vão se unir este ano para fiscalizar as empresas que foram aceitas no Super-Simples, o sistema simplificado de pagamentos de tributos para micro e pequenas empresas. Resolução do Comitê Gestor do Simples Nacional será editada até o final de janeiro regulamentando os procedimentos conjuntos de fiscalização.

continua após a publicidade

Depois do primeiro semestre de implantação do novo modelo que alcança os tributos federais, estaduais e municipais, o Simples Nacional entra em 2008 na fase de ajuste fino e consolidação da regulamentação, com ampliação da integração entre a Receita Federal e as administrações tributárias dos Estados e dos grandes municípios.

"Serão seis olhos voltados para os contribuintes", disse o secretário-adjunto da Receita Federal, Paulo Ricardo Cardoso. Segundo ele, o planejamento estratégico de fiscalização também deverá ser traçado em conjunto. Equipes de fiscais dos Estados poderão, por exemplo, fazer fiscalizações em separado ou compartilhadas com os auditores da Receita e dos municípios.

Pelo próprio Portal do Simples Nacional, na Internet, os auditores das três esferas de governo poderão "vigiar" os contribuintes. "Juntos vamos ampliar muito o poder de fiscalização", disse Cardoso Nessa fase inicial de implantação do novo modelo, afirmou ele, uma atuação forte da fiscalização tem papel importante para as administrações tributárias elevarem o chamado "risco" para os contribuintes, o que contribui para a redução da sonegação fiscal. "É um processo educativo", ressaltou.

continua após a publicidade

Prazo

Balanço dos primeiros meses do Simples Nacional mostra que 2,8 milhões de empresas foram aceitas no sistema. Os empresários terão agora, entre os dias 2 e 31 de janeiro, nova oportunidade de adesão. Quem não entrar nesse período terá que esperar até janeiro de 2009. É que as adesões para as empresas já existentes só podem ser feitas a cada início de ano. As novas empresas novas podem ingressar no sistema até 10 dias após a efetivação do último procedimento de registro da empresa.

continua após a publicidade

Segundo o secretário-executivo do Comitê Gestor, Silas Santiago, 3,242 milhões de empresas pediram adesão em 2007. Desse total, 240 mil tiveram o pedido indeferido pelos Estados e municípios e 142 mil não foram aceitas pela Receita Federal. Além disso, 60 mil empresas se inscreveram e depois pediram para sair. O antigo Simples federal tinha cerca de 2,56 milhões de empresas.

O número de pagantes regulares, com receita para o pagamento mínimo, aumentou. No antigo Simples, eles eram 1,4 milhões e agora já são 1,65 milhões.

O Comitê Gestor não espera uma ampliação significativa do número de empresas nessa segunda fase. A expectativa é de que 200 mil empresas se inscrevam no sistema. "A maioria que quis aderir já o fez", disse Santiago. Para ele, o balanço dos primeiros meses do Simples Nacional é positivo, depois de superadas as dificuldades iniciais.

Na sua avaliação, a desoneração tributária proporcionada pelo novo modelo foi significativa para a maioria das empresas. "Com certeza as empresas estão pagando menos", disse Santiago. Pelos cálculos do Comitê Gestor, a arrecadação da Receita Federal com o Simples Nacional caiu de R$ 1, 5 bilhão (antigo Simples Federal) para R$ 1,2 bilhão por mês. A arrecadação mensal do Simples Nacional é de cerca de R$ 1, 8 bilhão. A parcela dos Estados fica em torno de R$ 370 milhões e dos municípios é de 115 milhões mensais

Segundo Silas, o volume de arrecadação mensal está dentro do esperado. Para 2008, o Comitê Gestor está preparando uma série de oficinas nos municípios e Estados para melhorar a implantação do novo modelo.

Em vigor desde julho passado, o Simples Nacional unifica tributos federais, estaduais e municipais: IRPJ, IPI, CSLL, Cofins, PIS, INSS patronal, ICMS e ISS. Podem aderir ao sistema empresas com receita bruta anual de até R$ 2,4 milhões, desde que não estejam entre as atividades vedadas. Quem tiver débitos ou irregularidade cadastral terá que resolver o problema também até 31 de janeiro, se não, ficará de fora.

As adesões poderão serão feitas pelo portal do Simples Nacional, via site da Receita Federal do Brasil. Se a empresa tiver débitos, deverá quitá-los ou fazer o parcelamento convencional. No caso da União, o parcelamento é de até 60 meses. Nos estados e municípios, o parcelamento obedece às respectivas legislações.