A queda forte e generalizada na produção industrial de dezembro acaba se traduzindo em uma perspectiva não muito boa para esse início de ano, avaliou Newton Camargo Rosa, economista-chefe da Sulamérica Investimentos. “Dezembro surpreendeu pela intensidade da queda e devemos começar o ano ainda com uma redução ou até com a produção negativa”, afirmou.

Segundo os dados divulgados nesta terça-feira, 04, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção industrial caiu 3,50% em dezembro de 2013 ante novembro do mesmo ano, na série com ajuste sazonal. Em 2013, a produção da indústria acumulou alta de 1,20%.

De acordo com o economista, o cenário do ano passado já era esperado. “A atividade permanece estagnada desde meados de 2010. O quadro vem se repetindo e não traz nenhuma novidade”, disse. Segundo ele, a indústria está “presa na armadilha de custos crescentes, sem conseguir repassá-los aos preços”. “Nem os incentivos dados pelo governo conseguiram ter força para reverter esse quadro de estagnação”, disse.

Camargo Rosa reforçou que não há sinais de recuperação no curto prazo. “Acredito que em 2014 não vamos ter um quadro muito diferente do ano passado. Devemos manter esse crescimento baixo, talvez um pouco maior do que 1,20%”, afirmou. Segundo ele, não há perspectivas positivas nem no cenário externo nem internamente para alterar o quadro de estagnação que o setor enfrenta.

“Do lado externo é pouco provável que haja alguma grande mudança, ainda há uma contração na economia mundial e temos importantes compradores, como a Argentina e a Venezuela, em crise, o que afeta o setor exportador”, explicou. No lado interno, o economista destaca que a indústria deve conviver com juros altos e um mercado de trabalho que tende a se enfraquecer ao longo do ano. “Com isso, a renda deve diminuir e o consumo tende a ter crescimento modesto.”

Ele destaca, no entanto, como um possível ponto positivo de estímulo à indústria, uma efetiva recuperação da economia norte-americana. “Caso haja um crescimento mais forte dos Estados Unidos isso pode dar um alento para a produção industrial brasileira”, afirmou. Camargo Rosa descartou o efeito da realização da Copa do Mundo no Brasil como possível impulsionador da indústria nacional. “O impacto que podia acontecer já aconteceu. Agora a Copa deve ter uma influência maior no setor de serviços e turismo”, disse.