Acompanhando a tendência brasileira, o Paraná fechou 2004 com recorde nas exportações de suínos, tanto em receita quanto em volume. O Estado tem hoje o segundo maior rebanho do País, com 4,2 milhões de cabeças, atrás de Santa Catarina. "Ainda somos o terceiro estado em número de abates, mas isso se deve ao grande número de abates clandestinos que acontece no Paraná. Regularizar essa situação é prioridade para subirmos no ranking", afirma o presidente da Associação Paranaense de Suinocultores (APS), Irineu Wessler.

Neste ano, os criadores de suínos do Paraná pretendem ampliar seus mercados. "O produtor de suínos paranaense trabalhou o ano passado todo com lucro, por isso as perspectivas para esse ano são as melhores possíveis", afirma Wessler, que prevê continuidade do crescimento das exportações em 2005, mas sem fazer estimativas.

Para o presidente da APS, 2004 foi de recuperação, principalmente por causa das restrições impostas pela Rússia – principal mercado da carne suína nacional, com 56% do total. O Paraná vendeu, nesse período, aproximadamente 517 mil toneladas, sendo que, desse total, 40% foi para o país asiático. Com dois embargos, em junho e em setembro, devido a focos de aftosa no rebanho bovino no Pará e no Amazonas, e com a implantação de um sistema de cotas, os embarques para a Rússia caíram, o que causou baixo crescimento no volume de exportações. Mas em receita, houve crescimento de mais de 20%, em virtude de preços melhores. O presidente da APS não se mostra preocupado com a questão russa. "O sistema de cotas não foi respeitado. Exportamos muito mais do que o estipulado pelos russos", explica Wessler. Ele conta que a definição para a cota de 2005 será no mês que vem.

Wessler revela que os produtores paranaenses estão de olho em mercados menores, mas que possam ter um crescimento mais veloz para as exportações. Para isso, os criadores estão se modernizando. "Temos um controle sanitário muito bom, feito com bastante seriedade. Estamos preparados para competir com qualquer país produtor do mundo, com a vantagem de o Brasil possuir a produção de suínos mais barata do planeta, devido a facilidades como o clima e o espaço". Ele aposta que, com esse tipo de ação, os criadores paranaenses aumentem sua penetração, inclusive em mercados severos, como o europeu.

Outro fator apontado pelo presidente da APS para incrementar a produção no Paraná, são as colheitas recorde das safras de milho e de soja, composição básica da ração dos suínos. "Boas safras barateiam muito a alimentação dos animais". E para incentivar novos criadores, a APS está em diálogo com o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) para que o novo produtor tenha acesso mais fácil e menos burocrático à licença de operação. "Estamos mostrando ao órgão que os criadores também têm grande preocupação com o meio ambiente, apostando em criação de reservas de preservação permanente", revela Wessler.

Mercado interno

Ao contrário do que acontece com as exportações, Wessler explica que ainda existe muito espaço para crescer no mercado interno, sendo essa uma das prioridades da APS para 2005. "Vamos realizar em 2005, juntamente com os criadores, ações para aumentar e popularizar o consumo per capita da carne de suínos. Na Alemanha, ela beira os 70% que consomem carne suína. No Brasil, não passa de 14%", conta.