Representantes de todo o Estado estiveram
ontem na capital, onde apresentaram suas
reinvindicações na Assembléia Legislativa.

Os suinocultores paranaenses estão passando por grandes dificuldades financeiras. O preço que vem sendo pago a eles pelo quilo do animal vivo está abaixo dos custos. Para tentar solucionar o problema, ontem pela manhã mais de 400 produtores de suínos de todo Estado lotaram o Plenarinho da Assembléia Legislativa para uma audiência pública da CPI dos Alimentos.

A intenção da categoria era convencer os deputados para que auxiliem na recuperação do setor. Conforme o presidente da Associação Regional dos Suinocultores do Norte do Paraná (Assuinopar), José Luiz Vicente da Silva, os suinocultores paranaenses estão perdendo R$0,35 em cada quilo que vendem.

Silva explicou que há um ano, seguindo orientações do ex-secretário da Agricultura e do Abastecimento, Antônio Poloni, os suinocultores paranaenses aumentaram em 30% sua produção. A expectativa era de que as exportações de carne suína crescessem muito, já que o Estado foi considerado livre da febre aftosa e peste suína clássica. Elas cresceram, mas segundo Silva, apenas 16,7%.

Os suinocultores queixam-se que com a oferta muito grande de carne suína, a especulação do comércio em relação ao produto cresceu demais. “A margem de lucro deles (comerciantes) está muito alta, em torno de 40%”,criticou Silva. Ele afirmou que o custo de produção do quilo da carne suína é de R$1,35,enquanto os produtores estão recebendo entre R$0,85 e R$1,00 por quilo. “Precisamos que o governo do Estado seja mais ativo e crie um preço mínimo para a venda do produto”, clamou o suinocultor.

Hoje o Paraná é o segundo maior produtor nacional de suínos, com um total de 4,6 milhões de animais e 21 mil produtores tecnificados.

Compromissos

No final da tarde de ontem, os suinocultores levaram sua pauta de reivindicações ao secretário de Estado da Agricultura e do Abastecimento, Deni Scwartz. Ele se comprometeu a realizar reuniões com as redes supermercadistas para se idealizar campanhas de incentivo ao consumo, tentado a redução do preço final no varejo. Scwartz também comprometeu-se a levar ao Ministério do Desenvolvimento Agrário um pedido para que verbas do Programa Nacional de Incentivo à Agricultura Familiar (Pronaf) sejam liberadas ao suinocultores com maior facilidade, num prazo mais rápido.

Rastreabilidade bovina aprovada

O Conselho Estadual de Sanidade Agropecuária (Conesa) aprovou na tarde de ontem a proposta de “Programa de Cadastramento de Propriedades e Rastreabilidade de Bovídeos”. A iniciativa, que representa o monitoramento de cada animal desde o nascimento até o abate, será executada pela Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento, com o apoio de pecuaristas e varejistas.

O objetivo da proposta é garantir a sanidade animal e a qualidade da carne que chega à mesa do consumidor e, com isso, contribuir para a viabilização do Sistema de Rastreabilidade Bovina (Sisbov) concebido pelo Ministério da Agricultura. Por meio do Sisbov, o governo brasileiro visa atender às exigências do mercado externo e favorecer as exportações.

A proposta paranaense de rastreabilidade será, agora, encaminhada para regulamentação. Ela compreende a identificação inicial de bovinos e bubalinos, cadastramento desses rebanhos para constituição de um banco de dados e acompanhamento da movimentação de animais e carcaças da origem até o varejo.