Os pais gostam de ser presenteados e de mostrarem para colegas do trabalho e amigos o que receberam de seus pupilos. Porém, eles não abrem mão de que as escolhas sejam condizentes ao orçamento de seus filhos. A observação vem do pai, consultor financeiro e economista do Conselho Federal de Economia (Cofecon), Daniel Poit. Ele lembra que, em tempos de incertezas quanto aos rumos da economia mundial e de um nível elevado no endividamento dos brasileiros, o cuidado no quanto se irá gastar deve ser redobrado.

O economista reconhece que boa parte da população já está comprometendo um orçamento que ainda está por vir, como o 13º salário, para consumir itens que não são essenciais. “A realidade é que mais de 30% dos brasileiros já estão pagando o valor mínimo rotativo no cartão de crédito e isso é preocupante, pois o custo desse tipo de linha de crédito é elevadíssimo, ou seja, já demonstra que a conta não está fechando e que a aposta para saldá-la é baseada em um recurso extra como o 13º salário”, avalia Poit.

Diante desse panorama, o economista sugere que as despesas com o presente do Dias dos Pais fique entre 10% e 20% da renda e que o pagamento seja feito à vista. “Isso não só garante um poder de negociação maior ao consumidor para baixar o preço ofertado pelo produto, como evita o comprometimento de rendas futuras”, explica.

Poit, no entanto, contemporiza os fundamentos dos gastos para os pais com aspectos particulares da relação entre pais e filhos. “Tem gente que possui poucas oportunidades de encontrar o pai ou passa por um período em que ele está se recuperando de uma doença. Tais questões colocam a saúde financeira em segundo plano”, admite.

Seja por motivos complexos ou pela simples vontade de surpreender o pai no dia 14, lançar mão de algumas variáveis econômicas para ampliar o poder de compra é bastante proveitoso. Nesse sentido, um aspecto importante é observar o chamado custo de compra. Segundo Poit, a decisão do local onde será realizada a compra deve considerar despesas com o deslocamento, estacionamento, tempo gasto e a necessidade ou não de se fazer uma refeição durante a “missão”. “Ás vezes a pessoa se desloca para o Centro ou para um shopping pensando em economizar, mas acaba gastando muito mais do que uma eventual diferença de preço entre o estabelecimento do bairro onde mora e de um comércio em outra localidade”, orienta. Além disso, comprar no comércio do bairro confere ao consumidor um maior poder de negociação. “O comerciante do bairro é mais próximo daquele cliente e sabe que um bom desconto vai gerar novas vendas. O consumidor, por sua vez, deve levar isso em consideração na hora da compra”.

Presente-investimento

Para quem pretende gastar bastante no presente do pai, joias e viagens se mostram opções bastante interessantes não só por agradar, mas também como oportunidade de negócio. “Com o real valorizado, há vários destinos com preços extremamente convidativos, sobretudo, se o pai já for aposentado e poder viajar nas baixas temporadas”, recomenda. Quanto às joias, Poit diz que a tendência é de mais valorização em artigos que levam ouro ou prata. “Com a instabilidade do mercado financeiro, os ativos reais como o ouro são o endereço certo de boa parte dos investidores”.

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