Os subsídios concedidos aos produtores de soja americanos e aos exportadores daquele país em 2002 causarão um prejuízo de US$ 900 milhões ao Brasil. Esta é a conclusão de um estudo realizado a pedido da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e pelo Ministério da Agricultura.

A análise reforçará o pedido do governo brasileiro para a abertura de um painel no órgão de Solução de Controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC) contra a política comercial dos Estados Unidos para o complexo soja. O relatório será divulgado amanhã (3) pelo presidente da CNA, Antonio Ernesto de Salvo.

A estimativa feita no início deste ano era de que o prejuízo seria de US$ 1,5 bilhão, mas essa quantia foi reduzida devido à reação dos preços da soja no mercado internacional, o que provocou a diminuição das subvenções pagas pelo governo americano.

A avaliação dos técnicos é a de que se não existissem os programas de apoio interno e para a exportação da soja americana  as exportações brasileiras do complexo, que estão estimadas em US$ 5,6 bilhões até o fim deste ano, poderiam ter um acréscimo de 16%.

Os agricultores estão decepcionados com a desistência do governo brasileiro de recorrer a OMC ainda neste ano. O argumento oficial é de que como os preços da commodity reagiram no mercado internacional, reduzindo o prejuízo causado pelos subsídios, a reclamação perdeu consistência.

A decisão, tomada na última reunião da Câmara de Comércio Exterior, é de que o Brasil deverá recorrer à OMC somente contra as subvenções concedidas pelos EUA aos seus produtores de algodão e contra a União Européia pelas subvenções concedidas aos produtores de açúcar.          No caso do algodão, dados do Ministério da Agricultura indicam que entre 1996 e 1999 houve um aumento de 277% no subsídio autorizado para o algodão, que passou de US$ 703 milhões para US$ 2,3 bilhões por ano. Nesse mesmo período o preço do algodão caiu 35% enquanto a área cultivada nos Estados Unidos cresceu 6,5%.

Com relação ao açúcar, que sofre restrições de cotas e de tarifas elevadas para ingressar na Europa, o argumento é de que a União Européia compra o produto de países da África, Caribe e da Índia e exporta o açúcar com subsídios.