Elza Fiúza / ABr

Segundo o ministro da Agricultura, será preciso rever o número de propriedades que poderão exportar carne para o bloco.

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O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, disse nesta segunda-feira (11) que as discussões sobre o embargo europeu à carne brasileira podem durar mais de quatro meses. Segundo o ministro, será preciso rever o número de propriedades que poderão exportar carne para a União Européia (UE). "Do jeito que está com 300 propriedades, não é possível encher um contêiner para exportar para UE. Com este número não há densidade para as exportações: precisamos de 3 mil a 5 mil propriedades", afirmou. Ele explicou ainda que o governo terá que discutir como será o processo de agregação de novas propriedades à lista.

Stephanes lembrou que os europeus não questionam a sanidade do rebanho brasileiro, mas a rastreabilidade. Segundo ele, o erro do Brasil foi aceitar as mesmas regras aplicadas à rastreabilidade na Europa. "Elas foram criadas por causa do mal da vaca louca, doença que nós não temos", disse. A expectativa do governo é apresentar aos europeus a lista com as propriedades dentro das regras atuais, que Stephanes espera sejam revistas. O ministro afirmou que o governo irá fechar hoje a lista com o número de propriedades que será apresentada à UE, em Bruxelas, na próxima quinta-feira.

Alívio fiscal

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O ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues considera que o embargo europeu à carne brasileira é um problema de ordem comercial. "Ao assumir a liderança no setor, vieram também os oponentes", afirmou. Para ele, uma das saídas que o governo poderá adotar seria o alivio fiscal, já que a rastreabilidade implica em mais custos para o produtor disposto a exportar para o bloco.

Sobre a possibilidade de recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) contra o embargo europeu, Rodrigues afirmou que a OMC será um foro importante para a discussão. "A OMC pode ser a saída para um foro de discussões. Ainda não é hora de retaliações. Mas também não se descarta uma guerra comercial", disse.

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As declarações foram feitas após reunião realizada hoje na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na qual foram apresentadas as perspectivas para o setor nos próximos dez anos e os custos de produção para a safra 2007/08.