A reforma tributária introduz o split payment, mecanismo que retira impostos automaticamente no momento da venda. Quando um cliente paga por Pix ou cartão, o valor relativo aos impostos IBS e CBS é enviado diretamente para o governo, e o restante cai na conta do vendedor. A medida visa combater a sonegação, mas gera preocupação entre empresários pela perda imediata de capital de giro. As informações são da Gazeta do Povo.
Atualmente, as empresas recebem o valor total e pagam o imposto apenas semanas depois, usando esse intervalo para financiar custos do dia a dia. Com a mudança, essa folga financeira desaparece. Muitas empresas usam o dinheiro do imposto que ainda não foi recolhido para pagar fornecedores e salários. Se a empresa não tiver reservas próprias, precisará buscar empréstimos bancários, o que pode aumentar os custos financeiros do negócio.
O sistema permite descontar os créditos tributários, que são os impostos que a empresa já pagou ao comprar de seus fornecedores. Por exemplo, se uma venda gera R$ 280 de imposto, mas a empresa tem R$ 180 em créditos, apenas R$ 100 serão retidos. Se não for possível verificar esses créditos na hora, o governo retém o valor total e promete devolver o excesso em até três dias úteis.
Especialistas e entidades como a CNC e a FecomercioSP alertam que o impacto será maior em empresas com margens de lucro pequenas, ciclos financeiros longos e que movimentam grandes volumes de mercadorias. Negócios que precisam pagar fornecedores antes de receber dos clientes sentirão a pressão de forma mais intensa, correndo o risco de ficarem no vermelho.
As empresas que optarem por permanecer no regime unificado do Simples Nacional ficarão fora dessa retenção automática no momento da venda. No entanto, há um alerta sobre competitividade: os créditos de impostos que elas geram para seus compradores podem ser menores do que os de fornecedores do regime regular, o que pode desestimular grandes empresas a comprarem de pequenos negócios.
