Foto: Arquivo/O Estado

Colheita de soja no Paraná: ano de 2007 pode ser melhor.

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José Firmani, 46 anos, do Sítio Santa Tereza, de 130 hectares a serem ocupados integralmente pela produção do grão nesta safra que se inicia na primeira quinzena de outubro, está otimista com a aproximação da nova safra de soja. Tradicional produtor de soja, ele estima sair do vermelho e pagar as dívidas de R$ 60 mil, contraídas nas safras passadas e prorrogadas seus pagamentos. Tem esperança de produzir 60 sacas por hectare, ?uma produtividade possível e que também seria a salvação dos demais sojicultores da região, porque com ajuda do clima tem muita tecnologia boa de produção, gerada pela Embrapa e orientada pela Emater?.

Firmani é um dos 120 produtores rurais participantes do 4.º Encontro Regional da Cultura da Soja, ocorrido em Alvorada do Sul na tarde desta quinta-feira (28), e destinado aos produtores dos municípios de Bela Vista do Paraíso, Primeiro de Maio e Sertanópolis, que fazem parte da Área de Programação Integrada do Basalto.

Segundo o engenheiro agrônomo Nelson Harger, executor regional do Projeto Grãos da Emater, dentre as boas novidades estão os prognósticos climáticos na média histórica e a redução dos preços dos insumos. ?Pela influência do El Niño, as chuvas prometem ser regulares para atender as exigências da cultura, inclusive há possibilidade de chover mais no final do ciclo da cultura na região sul do Brasil. Temos também uma redução nos custos de produção, em torno de 20%, devido o barateamento dos insumos imposto pela própria concorrência das empresas do setor?, destaca Harger.

Para Harger, o fator considerado desfavorável é a manutenção dos preços de comercialização que deve ficar ao redor de R$ 25,00 a saca, sem perspectivas de recuperação em função da supersafra norte-americana superior a 85 milhões de toneladas e a previsão de uma boa safra sul-americana. Porém, lembra que o bom clima favorece os investimentos do agricultor para a adoção de tecnologia na obtenção de maior produtividade, ?voltando para a média de 50 sacas por hectare, com um custo de produção em torno de 25 a 30 sacas, como acontecia quatro anos passados, e garantir assim melhor remuneração da cultura nesta safra?.

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?Quando o clima é bom para a agricultura é também favorável para o aumento de doenças, em especial a ferrugem da soja?, diz Marcelo Canteri, engenheiro agrônomo e professor da Universidade Estadual de Londrina, doutor em fitopatologia, lembrando que ela coloca o sojicultor em situação de alerta, tendo que fazer de forma correta o monitoramento e controle da doença. ?Uma das estratégias é realizar o plantio mais cedo, evitando problemas maiores com a doença. Com o aparecimento da ferrugem na região, as vistorias na propriedade devem ser intensificadas e ao constatar o primeiro foco, realizar a primeira pulverização com fungicida e dependendo do produto e das condições de clima, nova pulverização após 21 dias?, orienta Canteri.

Quanto as cultivares preferenciais para esta região do basalto, o engenheiro agrônomo Antonio Bodenar, executor do Projeto Grãos na Emater de Arapongas, destaca que o clima se diferencia das demais regiões produtoras de soja do Estado, inclusive por estar em altitude média de 350 a 500 metros e que faz plantio de soja ser mais cedo para manter a tradição de produzir milho safrinha. ?Para este caso, são sugeridas cultivares adaptadas para o plantio a partir de 15 de outubro, de ciclo precoce e já experimentadas na unidade demonstrativa mantida e apresentada no Dia de Campo em Alvorada do Sul, no final de cada safra?, diz.

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Promovido pelo governo do Paraná, por meio da Secretaria da Agricultura com sua vinculada Emater e Prefeitura de Alvorada do Sul, além de parceiros regionais e locais, o encontro dos sojicultores do basalto tratou ainda do ajuste no sistema de produção da soja para sua sustentabilidade. ?Temos alguns desafios importantes e dentre eles o plantio de mata ciliar na proteção das nascentes, a intensificação da campanha Acerte o Alvo para redução das derivas das pulverizações e a retomada das práticas conservacionistas, em especial o plantio direto, além do manejo integrado de pragas?, destaca o coordenador-geral do evento, Reinaldo Neris dos Santos, da Emater. (AEN)

Soja transgênica deve ocupar 40% da área plantada

São Paulo (AE) – Dos 20,5 milhões de hectares que devem ser cultivados com soja no País, segundo estimativa da Agroconsult, cerca de 40% serão de variedades transgênicas. A estimativa é de Ywao Miyamoto, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Sementes (Abrasem), que espera por um aumento na demanda por sementes certificadas com a redução dos custos de produção. ?A semente tem um custo muito baixo quando é olhada entre os demais custos para o plantio?, afirma Miyamoto.

Para incentivar o plantio de sementes certificadas, a multinacional Monsanto alterou seu sistema de cobrança pelo uso da tecnologia. Pelo novo acordo firmado com cooperativas, cerealistas e sementeiros, a Monsanto cobrará royalties de R$ 0,30 por quilo de semente certificada. Para as sementes ?salvas?, a regra será a mesma da safra passada: 2% do valor da saca entregue até maio de 2007 e 2,7% para quem entregar a produção após essa data.

Segundo Miyamoto, a multinacional pretendia elevar de 2% para 4% do valor da saca a taxa de indenização pelo uso da tecnologia. ?Dada a crise que o setor de grãos vive e as pressões feitas pela Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) eles decidiram manter tudo como estava?, disse Miyamoto.

Em nota, a Monsanto informa que não existe o risco de o produtor pagar em duplicidade a taxa do royalties. ?Foi criado um modelo que determina que não haverá cobrança em duplicidade, ou seja, agricultores que paguem royalties não pagarão indenização na comercialização da produção, e que o agricultor terá sempre o direito de optar pelo cultivo de sementes transgênicas ou convencionais?, diz a nota.

Sementes

O governo não conseguiu comprar ontem, em leilão, as 80 mil toneladas de sementes certificadas de soja transgênica que serão usadas em programa de troca de sementes no RS. As empresas produtoras aceitaram vender apenas 33,605 mil toneladas pelo preço fixado em R$ 0,65 por quilo.

O governo terá que fazer um novo leilão para compra das outras 46.394 mil toneladas de sementes certificadas de soja transgênica necessárias. O pregão deve ser no dia 11 de outubro, informou fonte da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Na operação de troca, o produtor gaúcho entregará ao governo grãos guardados de maneira ilegal e receberá sementes certificadas. Não haverá incentivo financeiro, mas o governo argumenta que o uso das sementes legalizadas poderá aumentar a produtividade das lavouras.