Colheita da soja no Paraná:
produto livre de contaminações.

Brasília – A China informou ontem ao governo brasileiro que suspendeu provisoriamente a compra de soja fornecida por quatro empresas: Noble Grain, Cargill Agrícola, Irmãos Trevisan e Bianchini. A notificação foi feita à Embaixada do Brasil em Pequim e repassada ao Ministério da Agricultura. “Os chineses informaram que as cargas de soja em grão estavam misturadas com sementes que foram tratadas com dois tipos de fungicidas, o Captan e o Carboxin. Por isso, os chineses optaram pela suspensão”, explicou o diretor do Departamento de Defesa e Inspeção Vegetal do Ministério da Agricultura, Girabis Evangelista Ramos.

O ministério não soube informar o volume de soja exportado por essas empresas nem quanto representa no total do produto vendido para a China. Aquele país consome 20% das exportações brasileiras, que no ano passado somaram 20 milhões de toneladas. No documento, o governo chinês informa que pode retirar o embargo imposto à compra de soja das quatro empresas assim que forem tomadas as medidas necessárias para impedir a mistura de grãos com sementes.

Para reverter a situação, o ministério promete intensificar a fiscalização. “Vamos fiscalizar de forma rigorosa as instalações nos portos, as esteiras, os silos e os armazéns. A fiscalização será intensa no Porto de Rio Grande”, garantiu Ramos.

Em março, um outro lote de 59 mil toneladas de soja misturada com sementes tratadas com fungicidas saiu do Rio Grande do Sul com destino aos portos chineses. O governo chinês recusou-se a recebê-lo. Não há previsão da suspensão do embargo. O Ministério da Agricultura não soube informar qual empresa foi embargada nesse caso.

Além de intensificar a fiscalização, o diretor convocará representantes da Cargill Agrícola, Irmãos Trevisan e Bianchini para uma reunião sexta-feira em Brasília. Quanto à Noble Grain, ele disse que não tem muitas informações sobre a empresa, mas tentará um contato com representantes da trading no Brasil. Essas empresas são as únicas afetadas pelo embargo. “Outras empresas exportadoras que trabalham com soja supriram a demanda da China”, afirmou. “As empresas têm de parar de misturar as cargas. Caso contrário, perderão o mercado chinês”, alertou.

Maior importador

Grande consumidor de óleo de soja, a China é o maior importador do grão e o Brasil, um dos maiores exportadores do produto.

A maior parte das cerca de 20 milhões de toneladas que o país importa todo ano vem dos Estados Unidos, do Brasil e da Argentina.

A suspensão das importações ocorre às vésperas da viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à China. Lula visitará o país entre os próximos dias 23 e 27.