Os Estados Unidos impuseram uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros no dia 15 de julho de 2026, gerando preocupação imediata no setor industrial do país. A medida, baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, atinge especialmente setores de maior valor agregado e já provoca efeitos em uma economia que vinha sendo impactada desde o início das discussões sobre a tarifa. As informações são da Gazeta do Povo.
O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, apontou que as exportações aos Estados Unidos já caíram no primeiro semestre e a tendência é de piora. O especialista em comércio exterior Jackson Campos projeta impacto desigual entre os setores. “O impacto não será igual para todos, mas para os setores atingidos significa vender com menor margem e enfrentar concorrentes que não pagam a mesma tarifa”, afirmou.
Analistas de fundos de investimento afirmam que a aplicação da tarifa já era esperada pelo mercado, o que antecipou parte dos efeitos. A projeção agora é de valorização do dólar frente ao real e cautela nos investimentos. O agronegócio pode ter benefícios específicos nesse cenário.
Governo brasileiro atribui medida à família Bolsonaro
O governo federal divulgou nota responsabilizando a família Bolsonaro pela imposição da tarifa. “São falsos patriotas que arquitetaram e defenderam publicamente ações contra o nosso país, movidos por objetivos eleitoreiros”, diz o texto. A nota defende que proteger a soberania nacional está acima de partidos e tendências políticas.
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, contestou essa versão. Segundo ele, a tarifa foi imposta porque “o presidente Lula e seu governo não negociaram com os EUA de boa-fé”. Rubio afirmou que Lula colocou o próprio ego à frente do bem-estar do povo brasileiro. A oposição passou a usar a declaração de Rubio nas redes sociais. O senador Flávio Bolsonaro chamou Lula de “Biden brasileiro” e o classificou como “ranzinza” e “inconsequente”.
Federações industriais cobram clareza sobre impactos
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) atribuiu à gestão federal uma deterioração na relação diplomática com os Estados Unidos. O presidente da entidade, Paulo Skaf, criticou o que chamou de “ruídos diplomáticos desnecessários” e “desalinhamento político com Washington” em momento de alta taxa de juros e carga tributária elevada.
A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) adotou tom mais cauteloso e pediu maior clareza sobre o real impacto da sobretaxa, incluindo detalhamento das classificações e regras para cargas em trânsito. Entre as possíveis consequências estão substituição de fornecedores brasileiros, pressão pela redução de preços e renegociação de contratos.
O governo brasileiro informou que iniciará os trâmites para acionar a Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade no Congresso Nacional, e retomará o tema na Organização Mundial do Comércio (OMC). Segundo estatísticas americanas, os EUA acumularam US$ 424,5 bilhões em superávit com o Brasil nos últimos 15 anos.
