O Brasil depende apenas dele próprio para obter a esperada classificação de grau de investimento, afirmou hoje o diretor executivo da agência de risco Fitch Rafael Guedes. "Apesar de o ambiente econômico externo ter se deteriorado recentemente, a elevação do rating (nota) está ao alcance do Brasil", comentou, após evento na Câmara Americana de Comércio (Amcham), em São Paulo.

De acordo com o executivo, a elevada dívida bruta do País em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) e a baixa taxa de crescimento econômico ainda limitam uma melhor avaliação do Brasil. Segundo ele, mesmo considerando as reservas internacionais, a dívida brasileira ainda se encontra em patamares elevados, da ordem de 50% do PIB. "Países que são grau de investimento possuem um porcentual muito menor, de 30% em média", observou.

Questionado sobre a declaração de outras agências de risco de que o Brasil nunca esteve tão próximo do investment grade, o diretor da Fitch concordou: "É verdade, o Brasil está apenas a um passo da classificação, posição que nunca esteve antes". Não obstante, ponderou não ser possível determinar se uma nova elevação virá no curto ou no longo prazo.

Guedes elogiou o ajuste das contas externas e da política de melhora no perfil do endividamento. Lembrou ainda que a agência já efetuou quatro melhoras na nota brasileira desde 2003. "Temos ao todo 24 classificações. Nenhum país passa a ser bom do dia para noite", disse.

PIB

O resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre foi considerado como muito positivo pelo diretor da Fitch. "Os números mostram que estamos no caminho certo", destacou. Por outro lado, ele observou que é preciso saber se o crescimento da economia se mostrará sustentável. "O País já cresceu acima de 5% no passado recente. Desta vez, há indícios de que a trajetória deve se manter", afirmou.

Guedes observou que, apesar do desempenho positivo, a atividade econômica brasileira ainda se encontra em patamares inferiores aos de países que possuem grau de investimento e mesmo daqueles que possuem o mesmo rating que o Brasil. "Isso significa que crescemos abaixo do que o mundo está nos oferecendo", disse.

O diretor da Fitch destacou que a continuidade do crescimento é fundamental para que o Brasil escape da chamada "armadilha do endividamento". Ele mencionou o exemplo da Índia, que possui um endividamento superior ao brasileiro, porém mantém uma taxa de expansão econômica consistente ao redor de 8% ao ano. "O Brasil precisa crescer para escapar dessa armadilha", afirmou.