O ano de 2004 pode ser considerado um bom ano para o cooperativismo paranaense, com destaque para o incremento do número de cooperados, que cresceu mais de 15%. Atualmente, a parcela da população economicamente ativa do Paraná que participa do sistema é de aproximadamente 350.000 pessoas, distribuídas em 210 cooperativas de todos os ramos. As receitas totais para os cooperados atingiram R$ 18 bilhões -contra R$ 15,5 bilhões no ano anterior -, o que representa mais de 18% do Produto Interno Bruto (PIB) do Paraná, considerando um crescimento de 5% do PIB estadual para 2004, numa estimativa de R$ 98,7 bilhões.

Na avaliação de João Paulo Koslovski, presidente do Sistema Ocepar – Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado do Paraná -, em que pese a influência de alguns fatores negativos, climáticos e conjunturais, que penalizaram a economia como um todo, o cooperativismo apresentou um crescimento bastante significativo, "evidenciando a importância do papel das cooperativas na defesa sócio-econômica dos cooperados". A dificuldade na obtenção de recursos de financiamento para amparar o crescimento do setor produtivo, o elevado custo dos encargos financeiros no âmbito da macro-política e a redução na produção agropecuária paranaense estão entre as condições adversas que influenciaram no desenvolvimento econômico em 2004, disse Koslovski.

Contudo, as cooperativas ainda conseguiram investir e gerar novos postos de trabalho. Os investimentos realizados em 2004 atingiram mais de R$ 800 milhões, dos quais cerca de R$ 500 milhões voltados à agroindustrialização, com o objetivo de agregar valor à produção primária. Um dos resultados desse processo agroindustrial, explica Koslovski, é o crescimento das exportações. São mais de 30 produtos, exportados para mais de 60 países, que em 2004 representaram negócios de US$ 1 bilhão em vendas no mercado internacional. O esforço na busca de novos mercados e a consolidação dos mercados tradicionais, aliado ao conhecimento e o investimento em formação de pessoas, permitiu que o sistema no Paraná exportasse mais de 50% de tudo que as cooperativas brasileiras exportam diretamente. E para fazer esse negócio funcionar, as cooperativas também se constituem em uma das principais fontes de geração de emprego: são 45.000 diretos e outros 150.000 indiretos.

Na área de treinamento e capacitação, através do Sescoop/PR – Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo do Estado do Paraná -, braço importante do sistema na formação, monitoramento e promoção social, foram investidos mais de R$ 3 milhões.

Perspectivas para 2005

A expectativa para 2005 é em relação à busca de uma estabilidade econômica mais consolidada, tanto nacional quanto internacionalmente, o que deve permitir um novo crescimento no âmbito das cooperativas. Contudo, há uma grande preocupação em função de alguns fatores como a elevação dos custos de produção da safra implantada em 2004 e que será colhida em 2005, em torno de 20%; a queda nos preços das commodities na cotação internacional, especialmente soja, milho e trigo; a previsão de variações climáticas; a instabilidade na política agrícola de amparo à comercialização; e a valorização do real frente ao dólar, que se não for revertida prejudicará as exportações do agronegócio.

"Acreditamos que pelo ritmo de crescimento que vem apresentando o cooperativismo no Estado, mesmo com a possibilidade de um reflexo nem tanto positivo no segmento agropecuário, os demais ramos como saúde, crédito, trabalho, transporte, educacional e outros vêm crescendo, o que certamente determinará avanços em termos de receitas da ordem de 10%", disse Koslovski.

Para garantir o bom desempenho e na intenção de sustentar o crescimento registrado em 2004 para 2005, o sistema vem se preparando e desenvolvendo ações para a solução de algumas discussões importantes que afetam o setor. Uma das mais urgentes é resolver a questão da tributação em cima do ato cooperativo para todos os ramos do cooperativismo.

Também irão merecer atenção especial as ações de apoio para o fortalecimento do cooperativismo de crédito, mediante a aprovação de um programa de capitalização e acesso aos recursos do FAT -Fundo de Amparo ao Trabalhador; a definição da política de estímulo ao cooperativismo de trabalho, que hoje se vê cerceado em sua atuação; o amparo ao crescimento do cooperativismo na área de transporte; a regulamentação para as cooperativas do ramo de infra-estrutura; a aprovação da nova Lei do Cooperativismo, trabalho que está sendo liderado pela OCB – Organização das Cooperativas Brasileiras, com o apoio da Frencoop; e a viabilização de políticas de apoio ao desenvolvimento dos diversos ramos do cooperativismo nas áreas de capitalização, investimento em agroindustrialização, agregação de valor, busca de novos mercados e ampliação das exportações.