Organizações de cooperativas de vinte estados brasileiros estão representadas em uma viagem técnica que começou na terça-feira e termina amanhã, para conhecer os projetos de desenvolvimento e produção de seis cooperativas agropecuárias paranaenses. Cooperativa Agrária Mista Entre Rios, Coamo, Copacol, Coopavel, Frimesa e Co-operativa Agroindustrial LAR compõem o roteiro dos presidentes das entidades estaduais, que terão acesso às realizações responsáveis pela conquista de prêmios em sete das oito categorias do prêmio ?Cooperativas do Ano 2004?.

Realizado pela Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) em parceria com a revista Globo Rural, este ano o prêmio chega à segunda edição e revela o Paraná como Estado de destaque no setor de cooperativas, em especial as agropecuárias. De acordo com o presidente da Organização e Sindicato das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar), João Paulo Koslovski, a participação das co-operativas no PIB do Paraná no ano passado foi de 18,2%. Só o ramo agropecuário do setor respondeu por 55% do PIB da agropecuária do Estado. ?Hoje as cooperativas congregam dois milhões de pessoas direta e indiretamente, e o faturamento vem aumentando consideravelmente ano a ano?, diz. Segundo ele, em 2000 o faturamento das cooperativas paranaenses era de R$ 6,49 bilhões; em 2004, este número saltou para R$ 18 bilhões.

Outro destaque foram as exportações. ?As cooperativas exportaram US$ 992 milhões em 2004, com uma gama de mais de 30 produtos para cerca de 70 países. Queijo, leite em pó, suco de laranja em litro para o Japão e vários cortes de frango foram alguns dos principais?, lembra. Este ano, devido às perdas da safra de outono por causa da seca, os investimentos sofreram queda em relação ao ano passado: em 2004, foram da ordem de R$ 780 milhões, enquanto em 2005 o número cai para R$ 765 mi.

Ainda assim, as cooperativas vêm respondendo por boa parte da produção paranaense. 63,04% da soja produzida no Estado passa pelo sistema; do trigo, 62,5%, e do algodão, 74%. ?Estamos acumulando sobras desde o ano 2000. No ano passado, elas somaram R$ 600 milhões, que são destinados aos cooperados para reinvestimento?, acrescenta o presidente da Ocepar.

Social

A responsabilidade social é um dos grandes alvos do sistema cooperativo, de acordo com a Ocepar e a OCB. ?Para isso, investimos em produção com respeito ao meio ambiente, na reconversão de atividades – para sustentar a produção do pequeno agricultor -, em saúde e alimentação, ações sociais e, principalmente, educação, formação e capacitação dos cooperados?, revela Koslovski. A soma investida em desenvolvimento humano no ano passado superou os R$ 3 milhões.

Investimento que o gerente, geral da OCB, Ramon Belisário, garante que dá resultado. ?Não existe eficácia social sem a eficiência do ponto de vista econômico. O cooperativismo é um instrumento, mas para haver resultados no desenvolvimento social é necessário que ele produza e viabilize a economia?, afirma. (Lígia Martoni – enviada especial)