O compromisso do governo em atualizar as diretrizes do programa Minha Casa Minha Vida e garantir os pagamentos de obras já contratadas foi considerado positivo pelo vice-presidente de Habitação Popular do Sinduscon-SP, Ronaldo Cury. No entanto, o executivo ressaltou que o setor ainda deve buscar uma melhora nos limites de preços dos imóveis e alertou sobre o aumento de juros na faixa 2 do programa.

“O governo assumiu o compromisso em quitar os pagamentos de obras contratadas e não atrasar futuras obrigações. Dentro da realidade atual, de corte de gastos e ajuste de contas, isso foi muito positivo”, disse o executivo. “Temos de reconhecer esse esforço em dar continuidade ao programa”, acrescentou.

Cury também afirmou que a faixa 1,5 do programa que será criada com a terceira fase do Minha Casa é um produto coerente e pode trazer benefícios às famílias. O segmento incluirá famílias com renda mensal de até R$ 2.350, com benefício máximo de R$ 45 mil na aquisição de um imóvel. Além do subsídio – uma espécie de desconto -, o financiamento da faixa 1,5 terá juros de 5% ao ano. Como nas faixas 2 e 3, o empréstimo poderá feito pelas modalidades SAC (Sistema de Amortização Crescente) ou Tabela Price, num prazo de até 360 meses.

Por outro lado, o aumento de juros para compra de imóveis na faixa 2 do programa é preocupante e pode tirar muitos beneficiários do Minha Casa. No anúncio feito das regras do Minha Casa Minha Vida 3, o governo federal informou que os juros anuais para as parcelas subsidiadas das faixas 2 e 3 de renda do programa serão reajustados de 5% a 7,16% ao ano para entre 6% e 8% ao ano.

Na faixa 2, famílias com renda de até R$ 2.700 terão juros de 6% ao ano. As com renda de até R$ 3.600, 7%. Na faixa 3, até R$ 6.500, os juros anuais serão de 8%. “Isso afeta mais as famílias da faixa 2, pois compromete uma parte importante da renda do comprador. Pode tirar muita gente do programa”, avalia.

Outro ponto que o setor deve tentar modificar sobre o programa é o limite de preços dos imóveis. Na quinta-feira, 10, a secretária nacional de Habitação, Inês Magalhães, informou que o teto que o governo paga ao imóveis do Minha Casa Minha Vida será de R$ 215 mil. Atualmente, o valor máximo pago governo é de R$ 190 mil no Distrito Federal e nas regiões metropolitanas de São Paulo e Rio de Janeiro. “Isso deveria ser revisto. E os limites em outras cidades deveria ser conhecido o quanto antes para as empresas conseguirem se planejar”, afirmou o dirigente do Sinduscon-SP.