Só na capital, do início deste ano até o último dia 10, o Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região Metropolitana homologou 933 rescisões, sendo 646 demissões sem justa causa, nove por justa causa, 227 pedidos de demissão, 44 aposentadorias em Plano de Demissão Voluntária (PDV) e três falecimentos.
Os dados foram fornecidos ontem, em Curitiba, pelo próprio Sindicato, durante manifestações realizadas em frente às agências bancárias do centro da capital. As manifestações tinham como objetivo fazer com que a sociedade tomasse conhecimento das demissões. Para isso, um integrante do Sindicato vestido de Papai Noel e outro de luto entregaram aos transeuntes cartões de Natal denunciando os casos.
“O número de contas correntes abertas nos bancos têm crescido assustadoramente nos últimos anos”, disse a presidente do Sindicato, Marisa Stédile. “Em contrapartida, o número de funcionários nas agências é cada vez menor. Como conseqüência, os bancários estão sobrecarregados de trabalho. Devido às cobranças, muitos são vítimas de doenças ocupacionais, estresse e depressão.”
O Sindicato também quer que o Banco Central e o Ministério do Trabalho e Emprego criem regras para que os bancos assumam um compromisso com a responsabilidade social, demitindo menos funcionários, criando novos postos de trabalho, aumentando o horário de atendimento ao público, reduzindo tarifas e fornecendo mais financiamentos para contribuir com o crescimento econômico do País.
Demissões
Segundo o Sindicato, o banco que mais demitiu no decorrer deste ano foi o HSBC, com 359 desligamento, seguido pelo Itaú, com 233. Em terceiro lugar aparece o Grupo Bradesco – que envolve os bancos Finasa, BBV e BCN – com 78 demissões. O Real e o Unibanco demitiram 31 funcionários cada um.
Bancários ameaçam com greve
Os bancários ameaçam fazer uma paralisação nacional no próximo dia 18 em protesto às demissões que estariam ocorrendo no setor. A informação foi dada ontem, pelo presidente da CNB-CUT (Confederação Nacional dos Bancários), Vagner Freitas. A categoria iniciou ontem uma campanha nacional contra as demissões. Segundo a CNB-CUT, já ocorreram 5.000 demissões no setor esse ano.
Além disso, segundo Freitas, o Bradesco estaria pretendendo demitir até 12 mil funcionários no primeiro trimestre do próximo ano. O Bradesco, por sua vez, informou que não tem um programa de demissões previsto para 2004.
O Santander Banespa também informou que não planeja fazer cortes no próximo ano e afirmou que desde janeiro contratou 961 pessoas.
Já o HSBC afirmou que sua intenção é aumentar as contratações e não demitir. De acordo com a assessoria do banco, o HSBC criou 1.000 novas vagas entre janeiro e novembro deste ano. O ABN disse que não está se pronunciando sobre o assunto.


