O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel, afirmou nesta sexta-feira, 5, que os sinais de melhora na atividade econômica brasileiro ainda “são incipientes para se falar em retomada, mas mostram uma boa sinalização”. A declaração foi dada durante a divulgação do Boletim Regional, em Curitiba.

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Segundo Maciel, a produção industrial teve um desempenho positivo no segundo trimestre, depois de um longo período de queda, e os investimentos também parecem mostrar reação. “Pode haver uma variação muito próxima de zero (dos investimentos dentro do PIB do segundo trimestre), depois de 11 trimestres consecutivos de queda”, comentou.

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Questionado sobre a recente queda do dólar, que na quinta-feira fechou no menor nível em um ano, Maciel afirmou que o câmbio médio do primeiro semestre deste ano mostrou desvalorização em relação ao mesmo e período do ano passado. “Na margem o câmbio mostra uma apreciação, mas em termos interanuais houve sem dúvida uma influência (positiva) na balança comercial”, apontou.

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Ele admitiu que a recente queda do dólar já teve efeito sobre alguns itens do balanço de pagamentos, como em viagens internacionais, mas disse que isso não prejudica as exportações por enquanto. “Em quantum as exportações estão mostrando uma expansão importante e contribuem para mitigar os impactos da retração na demanda doméstica”.

Nas importações, a queda recente do dólar também já tem algum impacto, segundo Maciel, mas esse movimento sofre influência ainda da perspectiva de estabilização na atividade econômica.

Inflação

Tulio Maciel aproveitou a divulgação do Boletim Regional para fazer um alerta sobre a inflação. Segundo ele, uma inflação elevada traz risco alto à atividade econômica, compromete o horizonte de planejamento e deprime investimentos, impactando emprego e renda.

Comentando o histórico da inflação nos anos 1980 e 1990, ele afirmou que a teoria de que uma inflação mais alta significa maior crescimento pode até trazer certa verdade no curto prazo, “mas não faz sentido do ponto de vista de sustentabilidade do crescimento”. Segundo ele, o caminho da prosperidade para a economia brasileira passa pelo controle da inflação, “com manutenção de taxas baixas e estáveis”.

Cenário

Maciel comentou que dados recentes denotam um quadro de estabilização da economia. Um desses indicadores é a produção industrial, que começa a mostrar recuperação na margem, embora ainda bastante incipiente. Já em comércio e serviços não se vê esse movimento e o quadro ainda é de contração. “Ainda se percebe taxas de desemprego em elevação no mercado de trabalho”, afirmou.

O material divulgado pelo BC apresentou o ritmo da atividade econômica nas cinco regiões do País e citou o IBC-Br, índice que mede a atividade econômica, referente ao trimestre encerrado em maio. O Boletim Regional apresenta uma queda de 1,00% no IBC-Br do período, em relação ao trimestre encerrado em fevereiro. O número, segundo o BC, é apenas o arredondamento do número divulgado anteriormente, de 0,97%. O IBC-Br do trimestre até maio havia sido divulgado em 14 de julho.

Ao comentar a situação econômica, Maciel lembrou, por exemplo, que no começo do ano se esperava novo recorde na safra agrícola, mas problemas climáticos geraram uma quebra de produtividade em praticamente todas as regiões brasileiras.